JESUS, SEUS FAMILIARES E DISCÍPULOS

Atualizado: 29 de Nov de 2019

Orlando SAMPAIO SILVA*

Todos nascemos de um pai e de uma mãe.

Reporto-me a Jesus, aquele ser cujo nascimento divide a trajetória da humanidade em duas fases fundamentais: antes de Jesus (a. C) e depois de Jesus (d. C). Por quê “a. C.” e “d. C.”? Porque Jesus, por razões religiosas, também passou a ser referido como o Cristo (C.). Muitas pessoas se referem ao fundador do cristianismo como Jesus Cristo. “Antes de Cristo”- a.C., e “depois de Cristo” – d.C., como marco no tempo histórico do transcurso da vida da humanidade, são expressões que simbolizam a importância fundamental da presença de Jesus em seu tempo, em meio ao povo judeu, mas, definitivamente, em meio à sociedade dos humanos.

Em vários trechos da Bíblia, no Velho Testamento, pode-se encontrar registrado que chegaria o momento em que Cristo, um homem pertencente à linhagem tribal ou familiar de David, em nome de Deus, viveria entre os demais homens. A Bíblia era o Livro Sagrado dos judeus. Segundo os registros bíblicos, a presença de Cristo entre os judeus se impunha por estes estarem maculados pelos pecados, entre os quais o reiterado desprezo da crença em um único Deus, e, pela prática de rituais em cultos a outros deuses. Cristo teria o mandato divino para reorientar e corrigir a forma pecaminosa da vida do povo e reordenar o culto a um só deus, com fidelidade aos desígnios divinos anunciados por Deus ao instituir, pela intermediação de Abrahão, o povo judeu como o “povo escolhido” e ao destinar a ele uma região para instalar-se como povo, a “terra prometida”; os judeus deveriam cultuar com exclusividade a Deus, o criador, único, vivendo em meio aos demais povos de seu tempo, todos politeístas.

Em determinado momento histórico da vida dos judeus, João, o batista, empreendeu uma ação missionária pessoal e batizou pessoas segundo um ritual diferenciado, que desviava das práticas religiosas hebraicas; era o batismo pela imersão na água, deixando a circuncisão em segundo plano, menos central e fundamental, sem importância. O importante era a purificação do ser pelo Espírito Santo. João Batista anunciava, aos que julgavam ser ele o Cristo, a chegada, em breve, do verdadeiro Cristo. João Batista, em sua trajetória, foi um pregador antecipador, místico e messiânico, que teve muitos seguidores.

João Batista era filho de Isabel, que, por sua vez, era irmã de Maria, sendo ambas filhas de Sant’Ana.

Segundo a narrativa bíblica, no Novo Testamento, um dia, Maria recebeu a visita do anjo (arcanjo) Gabriel, que lhe anunciou que ela, Maria, estava grávida por “obra e graça do divino Espírito Santo”, que ela seria mãe, que daria à luz um menino, filho de Deus. Maria era casada com José, varão que pertencia à linhagem familiar bíblica de David.

Estava confirmada a próxima chegada do Cristo, que havia sido anunciado pelo precursor João Batista, que era primo do menino que ia nascer.

Maria, em uma manjedoura, deu à luz seu filho e a ele os pais atribuíram o nome Jesus. É neste evento do nascimento desta criança, que se encontra o grande marco temporal, que divide a história da humanidade em dois períodos: antes e depois de Cristo. A religião hebraica não considera que Jesus seja o Cristo anunciado nas Escrituras. Por isto, ainda nos dias atuais, os judeus religiosos estão esperando a chegada de Cristo, o Salvador.

O local em que nasceu Jesus ficava nos arredores da cidade de Belém, na Palestina.

José, um artesão judeu, era carpinteiro. Jesus tornou-se um auxiliar de seu pai em seu trabalho artesanal e manual. Jesus e sua família viviam em Nazaré, na Judéia.

Jesus, adulto, entre os 30 e os 33 anos de idade, foi um pregador instituidor de uma reforma na religião hebraica, que veio a ser, ao longo do tempo, denominada cristianismo, ou seja, a religião instituída por Cristo. A reforma doutrinária instaurada por Jesus na religião hebraica preexistente se consubstanciou em uma religião monoteísta (como a hebraica e de conformidade com os preceitos bíblicos), que se fundamentava em valores humanitários, que destacavam o perdão como forma de purificação dos pecados, e, em um conjunto de ideais que privilegiavam o amor e a paz entre os homens e as mulheres, entre os seres humanos em geral.

Jesus Cristo (como é, geralmente, denominado no mundo cristão) empreendeu sua caminhada criadora/instituidora, acompanhado de um pequeno grupo de discípulos, os doze apóstolos, que se chamavam: (Simão) Pedro (que negou três vezes, ante os policiais romanos, ser seguidor de Jesus, mas que veio a ser o principal entre os discípulos), Tiago (primo de Jesus, era filho de João Batista), João, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé (aquele que veio a duvidar da ressurreição de seu mestre), Tiago (“menor”, irmão de Jesus), Simão (o zelota), Judas Tadeu e Judas Iscariote (o que entregou Jesus aos policiais romanos).

Foi se reportando a Pedro, que Jesus disse: “Pedro, tu és pedra e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”. A Igreja Católica considera Pedro o primeiro papa.

Maria e José deram a Jesus os seguintes irmãos: Tiago (“menor”; não confundir com o outro Tiago, o primo), José, Judas, Simão, Maria e Salomé.

Foram filhos de Jesus com Maria Madalena: Efraim e Manassés.

Jesus perdoou os pecados de Madalena e ela passou a ser sua seguidora.

A Igreja Católica não admite que Jesus, em seu caráter divino, tenha tido filhos em seu relacionamento com Madalena. Segundo o “Gênesis” (no Velho Testamento), Deus, ao criar o homem e a mulher, determinou: “Crescei e multiplicai-vos”. Porém, com a desobediência - a queda -, o ato sexual passou a ser considerado pecaminoso (apesar daquela determinação divina!). Daí a impossibilidade da aceitação de que Jesus, mesmo sendo, também, homem, pudesse ser pai em um relacionamento com uma mulher.

Nesta perspectiva teológica, a desobediência em face da tentação da serpente (Lúcifer) - a queda –, deu origem ao pecado original. Jesus, o “filho de Deus”, mesmo com sua condição humana, era indene ao pecado. Mas, as personagens do Jardim do Éden e toda a humanidade que delas descendeu estavam condenadas para sempre pelo pecado, de vez que, no cumprimento do “crescei e multiplicai”, homens e mulheres povoaram toda a terra. Do contrário, não existiria a humanidade.

Para a religião católica, nos nossos tempos, Maria foi mãe apenas de Jesus, a quem ela concebeu sendo virgem. A imaculada conceição ou concepção. Na época do cristianismo primitivo dos primeiros tempos, não havia essa referência à Maria em sua condição de virgem. Durante o Concílio de Calcedônia-II Concílio de Éfeso, que se reuniu de 22 de junho a 31 de julho do ano de 431 (claro, da era cristã), a “virgindade” de Maria foi referida já como um dogma instaurado, definitivo. Neste Concílio, Maria foi referida como “santa virgem”, que foi “mãe de Deus/mãe de Cristo”. Estas concepções se tornaram elementos de fé, dogmas, em meio a várias denominações religiosas cristãs, porém, fundamentalmente, na Igreja Católica. A virgindade de Maria era referida pelos padres da Igreja, tais como Sto. Tomás de Aquino. Porém, nos primeiros tempos após o nascimento de Jesus, era natural a ciência, o conhecimento da paternidade de Jesus e seus irmãos, todos filhos do casal José e Maria.

Aquela reunião de cúpula do catolicismo estabeleceu que Jesus é uma pessoa única divina e humana.

Os evangelistas não foram contemporâneos de Jesus, mas viveram alguns anos após sua morte e escreveram narrativas sobre a sua vida e sobre seus ensinamentos, textos que constituem o Novo Testamento. Foram evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João.

Paulo foi o principal responsável pela divulgação da nova religião fora da sociedade hebraica, levou-a a Roma e ao resto do Mundo de então.


* Professor titular (Antropologia) aposentado da UFPA; mestre e doutor em CS (Antropologia); é autor de diversos livros na área da Antropologia e de poesias, tendo artigos antropológicos publicados em revistas acadêmicas, e poemas, em muitas coletâneas poéticas, no Brasil e no exterior.

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