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Inventem outra, por favor

Se não é cinismo, eu não posso dizer o que seja. A tentativa de matar ou simplesmente tornar inoperante a zona franca de Manaus não é nova. Nem pode mais surpreender qualquer propósito de retomar o projeto de extinção ou negar as mínimas condições de permanência de suas atividades. De que se tratou de um momento excepcional o que ensejou a criação, aqui, de uma área privilegiada de negócios, quem ainda duvida? Que a ZFM é mecanismo de articulação com o circuito dos grandes capitais, quem ignora? Mais que ignorância, é pueril insistir em pretextos para defender nossa economia, desdenhando da análise dos negócios em plano internacional. Ou seja: enquanto o fenômeno da globalização não for suficientemente entendido e analisadas as consequências dele, nada passará de mera brincadeira. Em muitos casos e momentos, beneficiando apenas parcela inexpressiva da população. Não é o meu desejo, nem são preconceitos ou sabedoria superior que chamam a minha atenção para uma contradição a que poucos dispensam cuidado e esforço analítico. Basta mencionar que o CBA, o CT-PIM e a FUCAPI, em cuja direção maior, individual e coletiva, sempre a maioria coube a representantes do empresariado, não impediram de todas elas serem varridas do mapa. Em que pese o discurso ufano e a proclamada defesa do "modelo". Tudo ruiu como um castelo de cartas, e não se agradeceu sequer aos que envidaram seus melhores esforços por fazer dos três os pilares de sustentação de atividades econômicas mais que especulativas. Ouvir dos que se mantiveram calados, não raro dispensando os rapapés de costume aos algozes, desafia nossa mais generosa tolerância. É demais admitir sinceridade ou compromisso com a melhor causa, quando quem pretende passar-se por defensor e benfeitor da economia da área os incensadores de qualquer poderoso. O poder não chega até estes sem o apoio e a solidariedade dos outros. É bom que os falsos amigos da população inventem outra. As de sempre está por demais percebidas.

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