Inominável

De muitas pessoas tenho ouvido que a conduta do Presidente da República não encontra verbete dicionarizado capaz de descrevê-la. Alguns dos interlocutores, amantes da História, confessam-me ter procurado saber o que se dizia de Nero, Atila, Bórgia, Hitler, Mussolini, Milosevic, Stalin, e outros semelhantes, como subsídio à qualificação desejada. Desolados, dizem nada ter encontrado que se aplique adequadamente ao caso. O artigo Feliz Ano Velho, de Cristina Serra (FSP, 29/12) dá boas pistas, Diz ela que o retrospecto do ano que este 1 de janeiro deixa para trás pode ser escrito com aspas expelidas de uma boca hedionda. E denomina o projetor dos perdigotos infames e ignóbeis profeta da escuridão e cronista do abismo. Lembro agora que os números indicam confortável simpatia popular (mais que 30%) conferida ao Presidente. Impõe-se encontrar causas razoáveis para o fenômeno. Não duvido que mesmo pessoas que perderam parentes próximos ou não, e amigos queridos se alinham dentre os apoiadores do que deveria ser o Presidente. Não sei a quem beneficiarão eventuais heranças deixadas. Isso pouco tem a ver com o caso. Interessa-me, todavia, descobrir, um mínimo que seja, algo de humanidade em quem à vida prefere a morte. Dos outros, sim, em primeiro lugar. Imaginar, porém, que a morte do estranho hoje pode anunciar a própria morte, amanhã e sem tardança. Desconheço a tendência ao suicídio entre os animais que dizemos inferiores. Quando até médicos se opõem à Ciência, políticos conluiam-se para subservientes aproximarem sua cupidez dos cofres públicos, e autoproclamados homens cultos se embevecem e se deixam liderar pela ignorância, pela arrogância e pela bravata, pode-se pensar que os dicionários precisam ser reinventados. Há palavras por criar, para designar sentimentos e condutas que felizmente ainda não são próprias dos seres chamados humanos. Enquanto é tempo...

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