Ingratidão

Deixemos de chorumelas, diria Francisco Milani, conhecido ator brasileiro, morto em 2005. Presidente da República reeleito depois de promover a alteração da Constituição para assegurar o mandato, FHC disse-o em outras palavras: mimimi era como ele chamava toda crítica ou comentário que o desagradasse. Pois hoje os críticos do governo permanecem dando motivo ao uso das expressões do humorista levado a sério e do intelectual desrespeitado por ele próprio. Destaca-se dentre os desatentos o deputado Fábio Trad, para quem o regabofe promovido na última terça-feira no Palácio do Planalto causou nojo. Com ares de quem não está entendo nada do que ocorre no País rebaixado à 12ª posição no Mundo econômico, o parlamentar lamentou (que é pra lamentar, quem tem dúvida?) o clima festivo em que alguns de seus colegas consumiram leitão preparado por deputado mineiro, homônimo do representante de Mato Grosso do Sul. Quando os objetivos vão sendo alcançados, a fortuna da família aumenta com a aquisição de belíssima mansão na capital federal, a Justiça e a Polícia arrefecem a força da Lei e é iminente a redução de recursos para a saúde e a educação, por que deixar de festeja-los? O que interessa saber, e disso não se deu conta o parlamentar do PSD, é a que propósitos servem o Presidente da República e seus fanatizados acólitos. Uma coisa são as dificuldades, problemas e sacrifícios com que se hão as pessoas e famílias honestas e trabalhadoras. Outra são as intenções e os objetivos dos que chegam ao poder. Nem todos podem sorrir ao mesmo tempo, como bem destaca o Presidente, ao lembrar não haver diferença entre morrer por morte natural e incurável e ser morto pela negligência, incompetência e ignorância de terceiros. É demais, penso, negar a qualquer cidadão, brasileiro ou não, o direito de festejar o que justifica imenso júbilo. Mais razão de queixa teriam os quase 60 milhões de brasileiros que apoiaram o projeto dos que chegaram ao poder e aos quais nem um pedacinho do torresmo foi oferecido. Uma ingratidão...

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