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Inês morreu há tempo

Autoridades da ONU mostram-se preocupadas com o massacre dos palestinos, promovidos pelas forças de Israel. A desproporcionalidade da resposta ao ataque terrorista do Hamas é tamanha, que autoridades palestinas a comparam à experiência dos Estados Unidos da América do Norte, em 1945. A quantidade e o peso das bombas lançadas em Nagasaki e Hiroshima, dizem os palestinos, é menor que a despejada em Gaza. As dificuldades impostas pelo governo israelense à assistência humanitária, sobretudo à população civil encurralada e mantida em apartheid, tem produzido milhares de vítimas, em sua maioria crianças e mulheres. Parece repetir-se, em escala ampliada, a ação de artefatos e substâncias sofisticadas, em circunstâncias semelhantes às vividas na Europa entre 1939-1945. Os campos de concentração onde Hitler encenou e dirigiu um dos espetáculos mais trágicos da História Universal têm seu correspondente na estreita faixa de Gaza. Apartados - um muro, inclusive, constrangendo-os - os palestinos sofrem o peso de embargos de toda espécie e, por isso, a impossibilidade de satisfazer as mínimas necessidades animais. Em que pese a preocupação de alguns dignitários da ONU, à organização tem faltado a disposição de dar conta de sua missão, como sucessora da fracassada Liga das Nações. Não fora assim, as nações mais poderosas não interviriam, como têm intervindo, em territórios distantes, e sob quaisquer pretextos. É verdade, portanto, que Israel têm precedentes em sua ação impiedosa e massacrante. Para a ONU, Inês morreu faz tempo. Se, como Fênix, ela ressuscitar, não há de ser sob as mesmas vestes. A organização tem que mudar mais que a roupa. A começar pelo direito de veto e a composição do seu Conselho de Segurança. Sem qualquer dessas mudanças e outras que as acompanharão, tudo se resumirá à mera embromação.





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