Imunidade de rebanho, impunidade do gado

Com a vacina e o esforço gigantesco dos profissionais de saúde brasileiros, ainda não se chegou à cinco centésima mil morte pela covid-19. O esforço governamental por evitar a imunização em massa e no tempo devido encontrou obstáculos até agora não superados. Tornou-se difícil fazer da pretendida imunidade de rebanho um objetivo alcançável, a despeito do empenho do governo federal. De nada valeu o descaso característico do Presidente da República e de seus auxiliares, no sentido de sacrificar no altar em que os subservientes o cultuam maior número de vítimas. Impossível sequer admitir o mínimo interesse revelado por ele e sua equipe, em relação ao enfrentamento da pandemia. Tantas as decisões, ações e omissões dirigidas do Planalto nesse sentido, que só exercício inimaginável de raciocínio levaria ao menos a pôr em dúvida tratar-se de um propósito, não de um equívoco. Mais lamentável, ainda, a adesão de parte da população à obsessão presidencial contrasta com a gravidade da pandemia e complica o combate ao vírus causador. Quadrúpedes em rebanho nem sempre vão ao matadouro com a mesma disposição e conformação, salvo se destituídos do instinto de sobrevivência peculiar a todo animal. Há bípedes, porém, que renunciam até mesmo aos instintos primários, com o que se tornam inferiores aos outros seres vivos, a despeito de serem aqueles tidos por inferiores. Em sua ingrata missão, não alcançada a imunidade de rebanho tão desejada pelo governo, o gado talvez sofra pela frustração traduzida no número de mortos pela covid-19. Ele e seus pastores desejam mais. Os que sobreviverem, à pandemia e aos maléficos atos oficiais, terão logo que impedir a impunidade do gado. Tarefa mais difícil que conter o vírus, como a vacinação já revela.

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