Hora de embalar a cria


Dias após dia, abro os jornais e neles encontro manchetes alertando contra decisões prejudiciais à coletividade. Em Manaus, no Amazonas, no Brasil e no Mundo, inquietam-se as populações, as minorias sempre sendo as mais ameaçadas. Populações inteiras, em várias partes do Planeta, veem as cidades em que moram destruídas pelo poder bélico. De seus vizinhos e de outras nações, situadas a muitas milhas dali. Os drones se encarregam do serviço sujo, fruto da suja cabeça dos que o determinam. Os que buscam refúgio em outras nações livres das ameaças procedentes do exterior veem-se rejeitados e não têm como reduzir seus padecimentos.

No País, a conquista de um emprego assemelha-se à guerra quente de que padecem outras populações. Não é menor o sofrimento, quando se trata de buscar serviços de saúde e uma oportunidade de educar-se. Também aumenta o número dos que têm como teto a abóbada celeste, mesmo se sujeitos os que nela moram a toda sorte de enfermidades que o péssimo serviço de saneamento proporciona.

Em muitas cidades, preveem-se consequências funestas, caso postas em prática decisões governamentais, por enquanto apenas especulações ou anúncios de que o pior está por vir. Quando elas chegam, surgem os prejudicados, que só fazem ampliar o seu meio. Já não são apenas os que sempre temeram pelo pior, pois a ele se juntam os que, ainda ontem, aplaudiam o discurso premonitório e tachavam de inimigos da pátria os observadores mais lúcidos e para os quais não eram previstos favores com que os falsa e repentinamente defensores de todos tinham como favas contadas. Enganaram-se ou se deixaram docemente enganar, como os ratos da fábula de Hamelin.

Este não é resultado sequer inédito, tanto a História – ah, para que vale a História, dirão alguns! – tem ensinado aos que sabem aprender.

Fechamos os olhos para problemas e potenciais soluções, frequentemente negando-nos debate-los, uns e outras, ou alegamos ignorância, opção no mínimo incompatível com a honestidade exigida das que se dizem pessoas de bem.

É bem esta a situação do Amazonas, diante da questão tributária que envolve o IPI. Conforme de observa nas opiniões e manifestações dos que se consideram líderes políticos e empresariais, tudo se passa como se pairasse no ar uma ameaça surpreendente. Sequer há algum que se dê o trabalho de situar o Brasil e todas as regiões que o integram como parte de um mundo em frangalhos. Mundo que, como bem diz Sigmunt Baumann, é presa da liquidez gasosa que faz tudo desmanchar-se no ar.

Como ser, ao mesmo tempo, adepto do liberalismo econômico e incomodado com a derrubada de providências que o prejudicam?

O IPI e as tratativas que ele justifica representam apenas um dos muitos problemas que mostram a inconveniência de acender velas a deus e ao diabo, concomitantemente. É difícil servir a dois patrões. Mesmo quando a expectativa de sempre ganhar se mostra aparente, cada dia essa dubiedade se torna menos admissível. Diriam os mais antigos: quem pariu Matheus, que o embale.

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