Honremos a ciência

Quarta-feira próxima, dia 11 de setembro, a sociedade amazonense terá oportunidade de manifestar-se a respeito do apreço que tem - ou não tem - pela ciência. E da consideração que dispensa aos que a produzem. Naquela noite, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA lançará documentário sobre espécies novas, descobertas graças ao emprenho de seus pesquisadores.

O Teatro Amazonas receberá os que desejam conhecer o resultado parcial (sim, porque muito mais têm produzido os cientistas do INPA!) da dura e dedicada luta para conhecer mais da Região, de suas gentes e da potencialidade que se esconde na floresta, nas águas e no íntimo de cada amazônida.

Mesmo cercado das mais soezes e injustificadas ameaças de que se têm notícia, o Instituto acena com a esperança necessária ao enfrentamento das vicissitudes por que passa a Região. A rigor, nada que não tenha sido antecipado. Apenas propostas e conceitos (ou, a falta deles) incapazes de, no mínimo, suscitar alternativas corretas de superação de nossas carências ou sugerir apoio a iniciativas semelhantes às que orientaram a criação e sustentam o labor daquele Instituto.

Não é só o INPA que sofre a ação danosa dos que abjuram a ciência e ofendem o mais elementar entendimento do mundo e das coisas que o preenchem. Por seu simbolismo, pelo que representou, como resposta à internacionalização denunciada por Arthur César Ferreira Reis, o INPA traz à comunidade parte de seu cotidiano, que não tem sido outro, que não o de tonar menores os mistérios que a floresta encerra e as águas tornam submersos.

Como resposta à tentativa de criação de um instituto internacional entregue às vontades e apetites dos negócios estrangeiros, nasceu o INPA. Desde eu nascimento, a respeitável instituição tem honrado a ciência, a despeito de períodos em que os interesses que o animaram foram fugazmente esquecidos.

Não consola, mas é forçoso constatar, não é só esta ou aquela instituição de ensino e pesquisa que sofre os dissabores que o ano 2019 reservou para eles. Todos se veem às voltas com restrições orçamentárias e outras formas de impedir a prevalência dos interesses e aspirações da sociedade.

Por isso tudo, e muito mais que aqui não caberia dizer, os participantes da sessão da próxima quarta-feira, a partir das 20:00, no Teatro Amazonas, devolverão ao INPA, às universidades públicas do Amazonas e à Ciência, a dignidade e o prestígio que os governantes insistem em amesquinhar.


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