História respeitável

Mais de quinhentos profissionais assinaram e encaminharam aos Presidentes dos três poderes e ao sinistro da Economia documento em que comentam a crise político-sanitária que vimos enfrentando. Dentre eles, muitos sentaram na cadeira principal dos assuntos econômicos, outros mandaram e desmandaram na Presidência do Banco Central. Não faltam banqueiros e homens de negócios postados em altas posições em sua respectivas corporações. A lista de signatário não carece de representantes dos segmentos ligados à poderosa FIESP e à todo-poderosa FEBRABAN. Como se tivessem todos desembarcado de viagem a Marte na véspera, tentam revelar indignação contra o trágico cenário a que são forçados assistir. Desinteressados ou deslembrados de fatos históricos recentes e remotos, deixam de lado as razões por que nos aproximamos de completar 300 mil mortos levados pela covid-19. Sequer ensaiam o mea culpa frequentemente - por mim também, e com razão - cobrado de Luís Inácio Lula da Silva. Desta vez, prefiro confrontar Aparício Torelly, para imaginar que dali de onde menos se espera...pode vir algo. Sem a certeza do que virá. Quantos daqueles senhores e senhoras, caneta Mon Blanc à mão, entre uma operação bancária on-line e outra. confessa sua participação nas origens do cenário que hoje a todos atordoa, ressalvados os 57 milhões de construtores? Quantos se dispõem a visitar, mesmo de seus confortáveis gabinetes, outros países onde os ricos e magnatas não recusam ao menos discutir a taxação das fabulosas fortunas? Ou não está incluída em suas preocupações a de reduzir a desigualdade que lhes alimenta a caridade, essa virtude que transforma exploradores em beneméritos? No mínimo, para poderem repetir honestamente a frase final de seu documento - O Brasil exige respeito!

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