Guerras diferentes

Comparem-se Roberto Justus, Luciano Hang e outros de igual índole com Luíza Helena Trajano Rodrigues e Carlos Guerra. Todos se dizem empresários. Nem todos, porém, se comportam como se espera dos que se classificam assim. Limitam-se a ganhar dinheiro, não em cumprir o papel que seria justo atribuir aos chamados empreendedores. Ou seja: uns são empresários, outros, meros ganhadores de dinheiro. É certo que a sociedade sempre ouviu e leu que o capital não tem pátria, alma nem coração. Então, sendo capitalistas, qual a razão para proteger os pobres? Talvez seja difícil discriminar em que grupo deve ser classificado cada um que ostenta riqueza, frequentemente devida à cumplicidade com os governantes, outras vezes baseada em golpes ou ilicitudes. Dos empresários pode-se esperar e compreender que se socorram dos cofres públicos, porque assim nos acostumamos. Mas só por isso. Capitalismo sem risco, fundado no ideal de Robin-Hood ao avesso, o Brasil dá importância não ao trabalho, mesmo aquele que entretém - quando ocupa - o dono do capital. Nada ao outro lado, o que constrói a riqueza do que o explora. Admitamos, contudo, diferentes os dois grupos. Mesmo que dentre o coletivo dos segundos - os que se comportam como empresários - haja muitos pouco simpáticos ao pagamento de impostos e cumprimento exato das obrigações legais (sociais e fiscais, em geral), atribuamos sua desídia à forma generosa como as trata o Estado brasileiro. Dos outros - os ganhadores de dinheiro -, o mínimo que se pode dizer é da facilidade com que transitam de um ponto ao outro, no mundo dos negócios. Produzindo e vendendo produtos religiosos hoje, ninguém se admire que migrem para o tráfico de tóxicos ou atividade similar. Está tudo dentro de sua ética, se ele as têm.

As opiniões da proprietária da rede de lojas Magazine Luíza quase toda o Brasil conhece. As últimas declarações divulgadas logo estabelecem a diferença a que me refiro. Carlos Guerra, dono da rede e franqueadora Giraffas, virou notícia, nos últimos dias. Não porque tenha apoiado o genocídio em que se empenha bom número dos que pretendem passar-se como colegas dele. Mas pelo contrário. Afastou dos negócios seu filho Alexandre, quando percebeu que a lição do homônimo da Antiguidade seduziu o filho mais que suas lições. A guerra de um não é a do outro. Presume-se, pelo menos.

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