Guerra é guerra

Quanto a verdade interessa pouco e a mentira ganha o prestígio de prática de governo, não surpreende a forma acintosa com que os fatos são distorcidos e naufraga qualquer crédito nos agentes do poder. É assim que vejo a tentativa da Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República – SECOM, ao divulgar dados sobre a devastação dos ecossistemas brasileiros. Seria mais fácil chama-los todos, técnicos e divulgadores, de burros, por aparentemente não revelarem o mínimo conhecimento técnico. Só a detenção destes dá condições de alguém tratar de assunto tão complexo. Mais que isso, informações relevantes sobre metodologia científica. Como ler e interpretar os fenômenos a que se relacionam os fenômenos estudados. Mas os antecedentes recomendam seguir por outro caminho, ao conhecer o que a SECOM divulgou, propositalmente usando duas réguas – uma para medir a devastação anterior; outra para avaliar os danos mais recentes. Depois, compara-las simplesmente. Quê se pode dizer, face a esses supostos equívocos. Primeiro, que não são equívocos, mas escolhas. Segundo, que não são outra coisa que a revelação da preferência pela mentira. A preferência abusiva pelas redes sociais pretende tornar virtual tudo, até a verdade. Aos que tentam convencer-nos de que estamos em guerra, porque sem ela não sabem viver, falta apenas dizer que na guerra a primeira vítima sempre será a verdade. Matá-la, portanto, é dever dos guerreiros.

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