Gabinete e crise

Ora por uma razão, ora por outra substancialmente diferente, amiúdam-se as oportunidades em que o poder público se vale de expedientes pouco usuais. Estamos, no Amazonas, acossados pela violência sem limites e, sob o pretexto de combatê-la, ocorre a criação do que tem sido chamado gabinete de crise. Poucas têm sido as vezes em que tal expediente resolveu, de fato e definitivamente, o problema ao qual foi aplicado. Vem-me à mente, então, instituição própria do sistema parlamentarista de governo, igualmente denominada. Lá, onde o Executivo não se sobrepõe ao Legislativo e ao Judiciário, Gabinete é o conjunto de ministérios, conduzido pelo Primeiro-Ministro ungido pelo Parlamento. Todos os que detêm pequena informação sobre alguns desses países, sabem quantas vezes o governo tem funcionado, enquanto há impasses na formação de novo Gabinete. Trata-se, portanto, de uma burocracia sólida e respeitada, que não deixa a máquina parar. Talvez a Itália seja, dentre tantas outras, a nação onde isso mais ocorre(u).

Certamente, nem sempre há céu de brigadeiro para os gabinetes, nem a crise deixa de apresentar-se. É preciso, então, saber como funcionam os gabinetes. Do contrário, a crise poderá estar neles mesmos.

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