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Frustração, legado e derrota

Como um balão de gás que se fura, o jovem deputado Amon Mandel registra mais um dos políticos promissores que frustraram o eleitor amazonense, desde a redemocratização. O primeiro deles foi Amazonino Mendes. Conhecido por suas posições de esquerda na militância universitária, o ex-prefeito, ex-governador e ex-senador não tardou a integrar as hostes reacionárias. Pior, fez-se refém das forças que derrubaram João Goulart e trouxeram ao País à direitização em pleno aprofundamento e expansão. A competição entre candidatos à Prefeitura de Manaus que disputam apenas o grau de adesão à direita diz tudo. A segunda experiência frustrante ocorreu quando Arthur Virgílio Neto surgiu no cenário, herdeiro do prestígio de seu pai, um dos mais destacados defensores do Presidente que o golpe empresarial-militar de 1964 derrubou. Nesse caso, a experiência pouco terá ensinado ao ex-prefeito, ex-deputado, ex-senador e ex-ministro de FHC. Mais grave, Arthur Neto sofreu processo de degradação tamanha, que se aliou à extrema direita liderada pelo capitão tornado inelegível. Num certo sentido, Eduardo Braga também frustra boa parte dos que o viam como a promessa de que novos ventos soprariam. Mais amenos, calcados em exitosa experiência empresarial, se não chegava a configurar uma posição de esquerda, poderíamos etiquetar o ex-prefeito, ex-vereador, ex-prefeito, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-senador e ex-ministro como um direitista esclarecido. Sem o talento de Mazzarino ou Richelieu, Braga poderia fugir ao padrão de seus antecessores e mostrar-se, pelo menos, portador de ideias e práticas modernas. Mais uma vez, não é o caso. A carência de personalidades fortes e conhecimentos medianos sobre as relações políticas e sociais acabou por gerar fenômenos cujas consequências não podem ser esperadas com otimismo. Incapazes de incorporar valores diferentes dos que restaram da ditadura, as lideranças mencionadas deixaram um legado de desencanto pela Política, logo aproveitado pelos oportunistas sempre à espreita. É disso que nos fala a disputa entre David Almeida e Capitão Alberto Neto, ambos esforçando-se em ver valorizada sua obediência em seguir um ostensivo inimigo dos direitos humanos, da moralidade e da democracia. Não destoa de todo esse triste e incômodo cenário o jovem deputado federal Amon Mandel. Quando as pessoas usam máscara e sabem mantê-la presa ao rosto, as coisas correm bem para elas. Mas, se um dia a máscara se solta, desata com ela a semente da desesperança. Como testemunhamos, à véspera de uma eleição de que já se conhece, qualquer que seja o resultado. Agora - e mais uma vez - o povo é o grande derrotado.

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