Frio e calor incinerantes

A reação de certas autoridades a fatos degradantes e trágicos registrados no País impacta sobre mim e altera sentimentos e impressões gravadas em minha mente e meu coração. O que se esperava fosse encarado com a gravidade que a situação exige, recebe certo olhar de desdém, logo seguido de palavras secas e ostensivamente indiferentes. É como se não estivéssemos enfrentando talvez a maior crise de nossa história republicana, seja pela complexidade, seja pelas consequências que ela pode apresentar. Se a pandemia é fenômeno até certo ponto inesperado, não o são outros fenômenos, como os incêndios florestais que vêm devastando vários ecossistemas do nosso território. Não podem ser tratadas com a indiferença e a sequidão verbal as mais de 120 mil mortes causadas pela covid-19, nem a escassa população infantil vacinada contra doenças até aqui controladas ou erradicadas. Acreditar que, por ser o destino de todo ser vivo, a morte não deve merecer reflexões e considerações não apenas apequena os que assim agem. Mais grave, e por isso condenável, é negligenciar a responsabilidade pousada sobre os ombros dos que decidem e governam. Quando a temperatura alta e a secura fazem arder extensa área do território nacional, o mínimo a esperar seria o conforto de uma palavra de ânimo, dotada daquele tipo de calor que traduz solidariedade e compaixão. Mesmo reconhecido o nexo entre a realidade trágica e, como no caso, abrasadora, com as ações e omissões humanas. Neste caso, calor e frieza concorrem para o mesmo resultado: a incineração da esperança de toda uma coletividade, espalhada em 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

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