Fraude, ontem e hoje


O desespero de Donald Trump é visível. A promessa de recuperar a economia em baixa frustra-se, não apenas porque seu país é líder no número de mortos pela pandemia. As decisões econômicas produzidas pelo evangelho neoliberal nada mais têm feito que adiar o desastre social que trazem consigo. Se, em países governados por políticos menos obtusos e broncos os resultados não conseguem deter a crise, é fácil compreender a aflição e o desequilíbrio de Trump. Não que a conduta do Presidente norte-americano em algum momento tenha sido diferente. Só que agora ele enfrenta realidade sobre a qual pensava ter absoluto controle, fugir ao seu domínio. Assim, esvai-se a esperança de recuperar as perdas econômicas registradas, como a expressiva queda do PIB nos últimos três meses. O conflito racial, de seu lado, tem contribuído para minar as bases em que se sustenta o governo Trump, nenhuma delas comprometida com a vida democrática proclamada, quase nunca praticada. Por ele e pelos que o admiram e cultuam.

Somem-se à violência oficial, a pandemia que já matou mais norte-americanos que as guerras da Coréia e do Vietnam juntas, e as crescente desigualdade globalizada, e poderá ser avaliada a preocupação do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Mais que seus adversários e muitos dos correligionários, Donald Trump sabe quanto oscilou, e não a seu favor, a preferência do eleitorado. Num certo sentido, até a aparente timidez de Joe Biden prejudica o candidato à reeleição. Fosse o postulante do Partido Democrata afeito ao conflito, disponível para responder com insulto o insulto recebido, com mentira retrucar a calúnia e a injúria, as coisas ficariam mais fáceis para o republicano. É no desaforo que líderes dessa tipo buscam inspiração e motivação.

A tentativa de adiar as eleições sob a tola e leviana alegação de suposta fraude não durou mais que 24 horas. Levantada numa quarta-feira, a hipótese na quinta já não se sustentava. O recuo, tratando-se de quem se trata, não indica ser fruto de profunda reflexão e arrependimento. Mostra-se, ao contrário, como reiteração da conduta sempre esperada de Donald Trump. Mentira, leviandade, arrogância, violência verbal e bravata parecem os ingredientes preferidos pelo empresário norte-americano, acostumado a tratar tudo e todos como produtos a serem vendidos e comprados. Algo que encontra abrigo não apenas no cérebro (?) de Trump, tantos os exemplares de sua espécie, postados ou não no alto escalão do governo de muitos países.

A suspeita de fraude foi alegada por ele antes. Ainda era incerta a vitória na eleição anterior, o depois eleito Presidente dos Estados Unidos da América do Norte punha em dúvida a legitimidade e a lisura do pleito. Nesse caso, e diante do uso intensivo, extensivo e ilegal das redes (anti)sociais por ele mesmo e seus apoiadores, trata-se de suspeita admissível. Talvez Putin ache o mesmo, dada a eventual influência de seu governo no resultado das eleições norte-americanas.

Hoje, porém, o declínio econômico e o estilo do Presidente da nação mais belicosa e poderosa do Mundo desagradam até muitos de seus correligionários. Ele há de dizer que não se fazem mais republicanos como antigamente.

0 visualização

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.