Fraternidade

Começou ontem a Campanha da Fraternidade 2020. Ações e tolerância, não gritaria e extorsão, levarão à frente a mensagem da Igreja - Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso. Ratifica-se, assim, a pregação do Papa Francisco, desagradável aos que ainda cultivam a desigualdade e festejam a morte, ao invés de levar a vida aos que não consideram semelhantes. Melhor não teria sido a companhia dos religiosos, se não o grupo de que se cercou para lançar a campanha, em sua 56ª edição. A Praça de Nossa Senhora dos Remédios juntou parte da população que mora nas ruas, segmento importante da multidão de excluídos que habitam as margens do rio Negro. Parcela invisível à outra parte, aquela que naturaliza a opressão, a exploração, a indignidade dos mais fracos. Na oportunidade, foram revelados os números da morte, capazes de despertar mais que a indignação e o repúdio da sociedade. Porque admitir determinação natural ou satisfação da vontade de um deus rancoroso no assassinato de quase 120 pessoas no mês de janeiro, só pode passar pela mente dos insanos. Ou, como parece o caso, seres injustamente classificados como humanos.

"A cidade está com cheiro de morte", disse Dom Leonardo Steiner, o novo Arcebispo Metropolitano de Manaus, na abertura da Campanha. Quantos aplaudirão as palavras do sacerdote, não se sabe. Quantos, tendo-as aplaudido, dispensarão atenção a elas, está-se por conhecer. Também é cedo para dizer dos que terão achado justa a proposta de vencer a morte, sobretudo a morte que ronda permanentemente a sobrevivência da maioria. E, achando-a justa, atenderão à convocação de Dom Leonardo para o compromisso essencial: aquele que repudia qualquer tipo da assistência a necessitados baseada na sua transformação em dependentes, humilhados, oprimidos. É de compaixão, traduzida na produção, defesa e apoio a políticas públicas responsáveis e consistentes, que fala o emissário de Francisco. Da capacidade de transformar a generosidade em compromisso público orientado pela crença de que homem nenhum é uma ilha. Como já dizia, faz séculos, um outro religioso (Thomas Morus, 1478-1635). Outros repetiram o autor de A utopia, esse lugar ainda não encontrado, mas possível de construir.

Dom e compromisso, assim é resumida a proposta da Igreja, nestes tempos tão nublados.

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