Franciscanice apenas?


Escriba provinciano, não seria eu talvez o mais credenciado para tratar do tema de que me ocupo agora. Há jornalistas competentes, experientes e, ainda que em minoria, preocupados com os destinos do País e de seu povo mais que com a sorte dos que mandam – às vezes, pagam. Multiplicam-se, igualmente, os que se autointitulam analistas políticos, sempre aptos ao aplauso fácil, à reverência servil e à adesão acrítica a propostas nem sempre coincidentes com os interesses da maioria. Esses, felizmente, podem sentir-se seguros, se vivemos de fato numa democracia. Ainda que disso se valham para acumpliciar-se aos que odeiam a liberdade, desde que não seja a deles mesmos. Nem porque seja assim, me considero o melhor dos analistas ou a voz e pena mais autorizada a comentar fatos recentes de nosso cotidiano e seus desdobramentos.

Porque o assunto diz respeito à informação, e pelos interesses subjacentes à sua difusão, os órgãos de comunicação estão cheios de profissionais supostamente interessados em meter sua colher na água fervente. A transferência de Adriano Queiroz, da Penitenciária de Bangu para sua própria residência, a do advogado dele e de seus amigos ou qualquer outro lugar, exige a consideração de aspectos importantes, mas ainda não suficientemente abordados.

Como Jack Estripador, vamos por partes. Segundo Agatha Christie, comecemos por avaliar a quem interessaram ou interessam os atos de Queiroz.

Não é meu objetivo discutir as frágeis razões de uma foragida da Justiça ter sido premiada com a liberdade, na sequência de decisão monocrática de um Ministro do STJ. No caso, a mulher de Queiroz, que não o teria visitado uma só vez, enquanto hóspede do advogado Frederick Wasseff. No período de mais de um ano.

Interessa-me, isto sim, comentar a propósito dos riscos a que está submetido o preso domiciliar. Não é novidade para ninguém que o ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro é dos mais valiosos arquivos vivos, mais importante ainda que seu ex-parceiro e xará, de nome Nóbrega, assassinado no interior da Bahia. O que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro sabe é relevante para a Policia Federal e para a Justiça, pelo que tem de esclarecedor. Esclarecimentos relacionados não a apenas uma figura penal, mas a vários dispositivos do Código dessa especialidade jurídica. Por isso, mantê-lo dentro de uma penitenciária de segurança máxima, sob a custódia do Estado, é incomparavelmente mais seguro que mandá-lo para casa. Mesmo com a tornozeleira eletrônica atada ao pé, Queiroz não tem nesse adereço instrumento capaz de livra-lo dos que têm a perder, se ele se decidir falar tudo o que sabe. As recentes experiências da delação premiada aconselham admitir isso.

Não faltam interessados no desaparecimento de Adriano Queiroz. Como sua mulher não está isenta das apreensões que perpassam pela cabeça dos que temem a língua do marido. Ambos, portanto, estão sob o risco de serem despachados para o Além.

Uma outra questão que se impõe diz respeito às dúvidas ou lacunas que pairam sobre a facada de Juiz de Fora, o assassinato da vereadora Marielle e o ajuste de contas com Adriano Nóbrega.

Se tudo isso não for levado em conta, teremos esse infame rol acrescido de mais um item. Talvez fosse prudente lembrar que breve serão abertas vagas no STF. E do que disse o santo de Assis.

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