Folia pandêmica

Carnaval sem Momo

mesmice imposta

pior que tudo

- sabe-se como

à alegria

mascarados são diferentes

ao menos nas máscaras

encobrindo rostos

escondidas intenções

mal dissecadas

desérticas almas desalmadas

e o desgosto

armando propósitos

objetivos interesses

a custo alto

muito alto

arquitetados


não é banda

o que passa

à janela

quando muito a

ambulância estridente

o terror com os seus traços

braços dados à

ignorância

o mal feito

e subseres humanos

subservientes


em desfile funéreo

permanente

não sai às ruas

o bloco tão esperado

é bloqueado o dizer

do inconfidente

surdo fica o tambor

bem ritmado

algo sem ritmo

algoritmo do silêncio

cúmplice e sócio

assoberbado


alas não há

escolas são fechadas

estandartes que de amor

não são

proclamam roucas cuícas

trágica maldição

certo rufar acompanha

um abre-covas

sem comissão de frente

alegóricas mensagens

maus augúrios

enquanto no peito

o coração bate

todo dia menos forte

onde futuros

como fazê-los

diferentes

se o desfile

acabará em

morte?






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Da morte e dos seus tipos As cargas são diferentes talvez Caronte não o saiba nem saber lhe interessa não faltarão valquírias sedutoras à satisfação do Cérbero faminto Jet-sky não transporta cadáveres

Permanecem no ar ruídos e sentimentos deixados na cara de um negro sobre tapetes vermelhos tingidos da cor por pouco não liberada de um rosto agredido uma piada mal posta sendo a luva que armou a mão

Ah, não fosse dado ao homem viver tanto... se não tivesse olhar atento sempre pronto não veria desfilar diante de seus olhos quanta coisa a doer na alma ferir o corpo machucá-lo dispensável pranto enq