Fieza que só a ignorância explica

A oscilação da temperatura das cidades brasileiras na presente estação deveria ser objeto da atenção dos governantes. Se não com grau de preocupação no nível da que têm os especialistas e ambientalistas em geral, ao menos como sinal de que sabem de suas irrecusáveis responsabilidades. Não se pedirá ao Presidente da República, seus Ministros, governadores e prefeitos e demais autoridades, que se tornem especialistas. Seria tolice, diante da reiterada e ostensiva demonstração de ignorância opcional. Não sabem, não desejam saber e têm raiva de quem sabe. Sua escolha, porém, não pode afetar toda a população, nem exigir de todos os cidadãos o sacrifício da própria vida. Não será outra a consequência das alterações ambientais como elas vêm ocorrendo em praticamente todas as regiões do País. Nenhum dos ecossistemas está a salvo dos efeitos do clima, para o bem e para o mal. Tanto quanto o que os cientistas chamam rios aéreos originados na Amazônia influenciam a temperatura de outras regiões, fenômenos gerados nelas podem produzir efeitos nas cidades amazônicas. Faz poucos dias, algumas cidades amazonenses tiveram importante, ainda que fugaz, alteração térmica. Não se tratou da friagem, esperada em Manaus, quando ocorre o degelo dos Andes. Semana passada, registrou-se a noite mais fria deste ano, em São Paulo. Hoje, a temperatura esperada na capital paulista é própria de verão rigoroso. Ao mesmo tempo, divulgam-se números relativos ao desmatamento da maior floresta tropical do Planeta e incêndios florestais no Pantanal e em regiões serranas. Informam os médicos e pesquisadores das repercussões de tais variações sobre a saúde humana. Segundo a Ciência, abaixo de 12% a umidade relativa do ar é nociva à espécie dita inteligente. Pois Cuiabá, neste domingo de setembro, poderá chegar a 5%. Se esse não é problema de que se devam ocupar os governantes, os chamados representantes populares e todo cidadão não-optante pela ignorância, não sei mais qual o seria.

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