Festejar - o quê?

Passados 132 anos, desde o golpe militar que pôs fim ao Império, a república dá sinais de retrocesso. Diz-se que Deodoro da Fonseca estava adoentado, quando se viu empurrado a destituir o amigo Pedro II. O regime inspirado por Montesquieu, repetidamente agredido pelo autoritarismo que alguns pensam característico de nossa gente, talvez nunca tenha sido tão ofendido quanto agora. Pelo menos, não tão ostensivamente. Já nem se dê conta de serem os maiores beneficiários dele os agentes das ofensas. Instalam-se eles nos poderes, em cujo interior é tecida a trama republicida. A persistência desses agentes desafia a inteligência humana, em especial quando instrumentos que se julgava próximos de erradicação passam a contar com novos aliados. No caso específico do Brasil, a mentira ganha foros oficiais e tenta impor-se, seja qual for o custo. Este, por sua vez, pode ser representado pela morte de mais de 610 mil pessoas, quanto pela compra-e-venda de apoio. Do ponto de vista pessoal e familiar, os corpos sepultados em razão da covid-19 clamam pela resistência. Do ponto de vista histórico, resta aos cidadãos o voto. Também esse é recurso que os republicanos de araque fustigam. Ele pode, no entanto, punir os antirrepublicanos. Nada melhor, para festejar a República!

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