Fake-news, fake-names

Salvo engano, fazer-se passar por quem não se é parece-me cometer um crime. Se meu afastamento das lides jurídicas não prejudicou minha memória, àquele ato se chama falsificação ideológica. Dela se têm utilizado estelionatários e outros espertalhões nos quais a esperteza substitui a pouca - às vezes nenhuma - inteligência. Causa-me estranheza, portanto, saber ter o Presidente da República, que antes considerávamos a mais alta autoridade do País, utilizado pseudônimo para realizar exames em laboratórios públicos. Três foram os nomes falsos registrados nos resultados dos testes do Presidente sob suspeita de infecção com o vírus que força alguns a usarem máscaras e derruba a máscara de outros. Antônio Guedes, Paciente 05 e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz é como consta dos documentos encaminhados ao Supremo Tribunal Federal. O primeiro nome parece inspirado no senhor de toda Economia; o segundo, o número atribuído pelos jogadores de bicho ao cachorro e o outro, o de um filho da Tenente-coronel da Aeronáutica Maria Amélia e o dono de uma farmácia de manipulação de Brasília. Minha curiosidade centrou-se apenas nos nomes escolhidos, não nas razões por que substituíram o nome de uma pessoa notória, tanto idolatrada como odiada. Afinal, pseudônimos passaram a interessar-me mais, desde quando comecei a ler a obra de João Paulo Emílio Cristóvão (ou Alberto?) dos Santos Coelho Barreto, o jornalista Paulo Barreto, conhecido nas duas primeiras décadas do século passado como João do Rio. Dei-me o trabalho de contar os pseudônimos de que se valia na autoria de textos jornalísticos, dramatúrgicos, crônicas, ensaios, folhetins e colunas em jornais da antiga capital federal. Contei-os até dez. Agora, penso que os laboratórios onde os pseudônimos constam das respectivas fichas também devem ser chamados à Justiça. Depois de baterem com os costados nas delegacias de Polícia. Se não esqueci totalmente do que penso ter aprendido no Curso de Direito.

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