Factoide internacional


Às voltas com o processo de impeachment em tramitação no Senado norte-americano, o Presidente Donald Trump trata de amenizar os efeitos disso, inventando verdadeiros factoides. Embora seja pouco provável que a maioria republicana de senadores o defenestre do posto, Trump tenta obscurecer as acusações que pesam contra ele. Desta vez, acusam-no de interferir na Ucrânia, na tentativa de envolver o filho do potencial candidato opositor nas próximas eleições presidenciais, a ocorrerem no segundo semestre deste ano. Há fortes suspeitas de que o magnata reteve recursos que deveriam ser enviados àquele país, se a vontade dele não fosse atendida. Pode-se perceber, no mínimo, certa cautela dos analistas em afirmar estarem cobertos de razão os que o acusam. Sabe-se, porém, que os antecedentes de Donald Trump e sua forma de fazer política não desfazem a impressão de que os acusadores podem ter razão. Espera-se, inclusive, o depoimento de uma testemunha que, próxima da Casa Branca, afetaria a vantagem do acusado, na votação do Senado. Mais grave para ele, Trump mantido na Presidência, poderia perder votos na iminente eleição presidencial.

A pretexto de pacificar o Oriente Médio, Trump propõe a instalação das sedes dos governos de Israel e Palestina, na cidade de Jerusalém. Os palestinos se estabeleceriam em um pedaço da parte leste da cidade santa para pelo menos três religiões, enquanto a Israel caberia governar a partir do restante do território. O fato é que aceitar a proposta implica ignorar o avanço dos israelenses sobre a faixa de Gaza, fruto da guerra dos seis dias, da qual resultou, em 1967, a perda de expressiva porção territorial ocupada e reivindicada pelos palestinos. Lá, várias colônias israelenses foram estabelecidas desde então. Para Trump, é como se a guerra não tivesse ocorrido e boa parte antes ocupada pelos palestinos não lhe tivesse sido tomada.

Pior: imagine-se como seria a convivência, dentro de um mesmo território, de duas nações cujas relações se têm feito à base de hostilidades recíprocas, faz pelo menos seis décadas! Hostilidades que não têm poupado o sangue de ambos os lados.

Diante apenas de Benjamin Netanyahu, Donald Trump apresentou sua proposta, mesmo na ausência de Mahmoud Abbas, o Presidente da Palestina. Este preferiu ficar em casa, talvez para testemunhar os protestos de seus governados, empenhados em gritar palavras de ordem contra Israel e Trump. E fazer fogueiras nas ruas, com fotos do Presidente e bandeiras dos Estados Unidos da América do Norte.

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