Fácil e oportuna prevenção

Há quem veja nos episódios da última quarta-feira, em Washington, uma prévia do que pode ocorrer em 2022, em Brasília. Ainda que se trate de uma hipótese precoce, há aspectos que não podem ser descartados, em especial pela substancial semelhança entre os protagonistas. O atual Presidente da República Federativa do Brasil chegou a anunciar sua disposição a resistir ao resultado das urnas de 2018, caso não fosse o favorecido. O propósito foi endossado por nota do Ministério da Defesa. Durante a primeira metade do mandato, o ex-capitão não escondeu o deslumbramento pela figura de seu ídolo, ninguém menos que o derrotado, daqui a alguns dias ex-Presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Outros traços de personalidade, caráter e estilo aproximam os dois maiores representantes da barbárie no continente americano. Mostrar exemplos dessa malévola fraternidade entre os dois é uma das coisas mais fáceis, tantas as oportunidades reveladoras. Bastaria mencionar a conduta de ambos relativamente à pandemia. Os dois e as intenções e os interesses por eles representados colocam suas respectivas nações dentre as que mais levaram cadáveres à sepultura, vítimas da pandemia. A ação de um e de outro, negacionistas e necropolíticos, coloca-se como fator indissociável da tragédia dos dois países. A Câmara dos Deputados, ora empenhada em eleger o Presidente para o próximo biênio, pode sensibilizar-se com a virtual ameaça de ver repetida aqui a tragédia bufa de que o Capitólio foi palco. Dispondo em suas gavetas de dezenas de pedidos de impeachment do Presidente, caberá ao substituto de Rodrigo Maia a iniciativa de impedir sua repetição no Brasil. Os partidos autoproclamados de esquerda poderiam aproveitar para incluir essa exigência nas tratativas de apoio a Baleia. Fazer dele a orca que engolirá o anti-herói bíblico.

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