Expertise versus esperteza

A elite empresarial, mais que voraz dotada de faro de abutre, não esperou. Antes de conferir totalmente os ganhos proporcionados pela covid-19, apresenta suas garras afiadas. Festejando a contragosto a contribuição dos cientistas e médicos brasileiros que impedem mortandade ainda maior, põe a expertise dos profissionais para concorrer com sua jamais desmentida e desmedida esperteza. Proposta de importar vacinas e doar metade delas ao poder público, com a promessa de usar a outra metade na imunização dos seus próprios empregados (quase escrevo explorados) não consegue esconder o que isso significa. Duas das consequências, dentre tantas outras, desse sonho empresarial: 1. Uma espécie de agressão à lista de prioridades do Plano Nacional de Imunização. Neste caso, que tal, para não furar a fila, admitir pessoas com mais de 70 anos? E aí, sim, imuniza-las. 2. Manter as empresas em funcionamento, à revelia das restrições impostas pelos que podem determiná-las. Ou seja, a “generosidade” objetiva encher cofres, cemitérios – se isso for necessário.

A proposta configura trágica e abjeta forma de outra das muitas parcerias público-privadas, de cujos maus resultados nem todos se dão conta. Ressalvem-se as empresas, que cedo superaram o entusiasmo inicial.

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