Exemplos, bons e maus

Completaria dezoito anos quatro meses depois, quando transpus pela primeira vez o portão das armas do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Oitava Região Militar - CPOR/8ªRM, em Belém. Antecipava o serviço militar obrigatório, para não ver prejudicada a carreira jurídica que me animava. Fazia questão de prestar o serviço, tanto acreditava na possibilidade de acrescentar aos meus conhecimentos percepção diferente da que se adquire em outros meios. De minha passagem pela caserna vários dos livros e textos que assinei dão testemunho. Tenho-a, mesmo, como dos mais interessantes períodos da minha vida jovem. Lá fiz muitos amigos, fortaleci amizades pré-existentes. Estávamos sob a Constituição de 1946, aquela dezoito anos depois rasgada por muitos dos que estavam no mesmo ambiente por mim frequentado, nos anos 1959-1961,e dois meses de 1963. Durante minha permanência, primeiro como aluno do Curso de Infantaria, depois como aspirante a oficial do Exército, observei o respeito que a oficialidade dispensava à Constituição e às leis. Nem mesmo a camaradagem que havia entre os membros das forças terrestres fazia-os inclinados a ofender a democracia que a Lei Maior vigente assegurava. De minha parte, absolutamente desinteressado em seguir a carreira, submetia-me de bom grado e com respeito, às normas próprias da corporação. Ao RDE jamais dirigi qualquer ofensa, a tal ponto que minha ficha não registra um só comparecimento à noite no quartel, a fim de responder à revista. Uma pena suave para o aluno que cometesse pequenas faltas - o cinto fosco, o uniforme mal passado, o sapato sujo, a chegada com atraso. Pouco mais tarde, ocorreria o rompimento de um código que eu pensara de honra. Pôs-se a correr um político eleito segundo as regras constitucionais, inscrevendo o País no rol das enlameadas ditaduras latino-americanas. O resto, quem lê sobre a História sabe. Não sou saudosista, nem tenho simpatia pelo passado. Apenas não o apago, porque nação nenhuma se constrói por bang-bangs ocasionais. Menos ainda advogo a conservação do que não presta. Daí certo espanto, quando vejo desmentidas algumas boas lições aprendidas no velho quartel situado ao lado da basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará. Se conservar o mal me repugna, retornar a ele, quando o futuro nos espera quer dizer algo mais grave que o simples apego ao passado. Sobretudo quando os métodos expõem o apodrecimento do tecido social, a que os mitos e magos tanto são afeitos.

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