ESTUDOS DE HISTÓRIAREGISTROS HISTÓRICOS DA FORMAÇÃO E DA VIDA DO POVO HEBREU/JUDEU E SEQUÊNCIA GENEA

Orlando SAMPAIO SILVA

- I V P A R T E - A

J A C Ó ou J A C O B / I S R A E L

Jacó ou Jacob (filho de Isaac e neto de Abraão) casou com Raquel ou Rachel, que era filha de Labão e sobrinha de Rebeca, sendo esta a mãe de Jacó; ou seja, Raquel era sobrinha da mãe de Jacó, seu marido. Jacó e Raquel eram primos cruzados. Lea ou Léah ou Lia, irmã de Raquel, também foi esposa de Jacó. Jacó foi, ao mesmo tempo ou concomitantemente marido de Raquel, sua esposa preferida, e de Lea (que era sua cunhada), em uma família poligínica marcada por um casamento “incestuoso” (para os valores formulados muito tempo depois), de vez que as duas mulheres eram irmãs entre si e eram esposas de Jacó em vida de ambas. Jacó casou por primeiro com Raquel. Jacó também teve amantes: Bila e Zilpa, que eram escravas de Raquel e de Lea, que as ofereceram em concubinato ao seu marido comum. Costumes da época, que explicam estes fatos.

Esses primeiros tempos, em que fatos, acontecimentos e ações humanas, memórias, testemunhos, tradições estão envoltos em densa atmosfera ora mítica, ora fabular, ora ficcional, eles constam como narrativas sagradas no Velho Testamento. Estas narrativas revelam que Deus manteve, em muitas situações, diálogos diretos com seres humanos, que seriam seus representantes na Terra, que cumpririam missões divinas referentes ao “povo de Deus”, povo que estava na fase preliminar de sua formação. Foi em um diálogo de Jacó com Deus, que este lhe disse que ele passaria a chamar-se Israel.

Esse encontro teofânico ocorreu como conclusão de ampla trama dramática, que teve Jacó como personagem central. Em seu empenho para ser o sucessor de seu pai, como vimos acima, Jacó traiu seu irmão Esaú; enganou seu pai cego, que lhe deu a benção que lhe atribuiu a sucessão como patriarca; no conflito com o irmão e temendo-o, Jacó se afastou da terra de seu pai e foi viver por vinte anos com seu sogro Labão, para quem trabalhou; retornou à sua terra, mas, ainda temeroso da vingança de seu irmão, buscou a bênção de Deus (D’us) com a qual ele esperava estar perdoado de sua traição e consagrado como patriarca; então, afastou-se de sua casa com sua família, atravessou o riacho Jaboque; deixou a família do outro lado do pequeno rio e retornou à margem anterior; aí ficou só, em absoluto isolamento, na expectativa de se encontrar com Deus; foi então que apareceu um homem, e Jacó e este homem empenharam-se em luta durante toda a noite; no Velho Testamento, este homem é vem a ser identificado como o “Anjo do Senhor”, o “Anjo de Deus”, sendo ele o próprio Deus, que, ao alvorecer, abençoou Jacó e lhe atribuiu o nome Israel (“aquele que luta com Deus”).

O S F I L H O S D E J A C Ó

Foram filhos de Jacó: (1) Rúben, (2) Simeão, (3) Levi, (4) Judá, (5) Dã, (6) Naftali, (7) Gade, (8) Aser, (9) Isaacar, (10) Zebulom, (11) José, (12) Benjamin, e (13) Dinah, sendo esta a única filha.

Sendo Raquel infértil, ela ofereceu ao seu marido Jacó, como sua segunda esposa, sua irmã mais velha, Lea, Léah (ou Lia), ficando Jacó casado com essas duas mulheres (cf. acima). Elas eram sumerianas politeístas. Com o casamento, as duas irmãs se tornaram monoteistas. Além das esposas, como vimos, Jacó contava com as duas concubinas Zilpa e Bila.

Então, vejamos quais foram as mães dos filhos de Jacob.

Do casamento de Jacó com Lea, nasceram os seguintes filhos: Rubem, Simeão, Levi, Judá, Isaacar, Zebulon e (a filha) Dinah; com a concubina Zilpa: Gade e Aser; com a concubina Bila: Dã e Naftali. Raquel, a esposa predileta, já próxima da velhice, veio a tornar-se fértil, e foi mãe, primeiro de José e, depois, de Benjamim. Registre-se que os dois filhos de Raquel nasceram depois de haverem nascido seus irmãos oriundos dos outros relacionamentos do pai, Jacó.

Judá, filho de Jacó, casou com a cananeia Suá, sendo esta a sua primeira mulher. Este casal teve dois filhos: Er e Onã ou Onan.

Veja-se, então: Onã era filho de Judá, que era filho de Jacó, que era filho de Isaac, que era filho de Abraão. Onã era tataraneto ou tetraneto de Abraão. O irmão mais velho de Onã, Er, era casado com Farez. Este irmão (Er) morreu, sem deixar descendência. Por determinação de seu pai, Judá, Onã casou, em levirato, com Farez, a viúva de Er. Segundo a vontade de Judá, os filhos de Onã com Farez seriam considerados descendentes de Er. Onã, insatisfeito com essa determinação de seu pai, não queria ter filhos com sua esposa Farez. Neste ponto entra uma divergência entre intérpretes do Velho Testamento. Para uns, para não ter filhos, o casal praticava o “coito interrompido” e Onã lançava sua esperma à terra. Para outros, Onã e Farez não tinham relações sexuais e Onã se masturbava e atirava à terra seus espermatozoides. A Bíblia se refere claramente ao fato de Onã lançar seu sêmen à terra. Em todo caso, este personagem bíblico, Onã, veio a ter seu nome utilizado, no futuro, pelos estudiosos dos comportamentos sexuais, na nominação do chamado “vício solitário” (que nem sempre é tão solitário), a masturbação, com a denominação “onãnismo” ou onanismo.

Com a morte da primeira esposa (Suá), Judá casou com Tamar, de cuja união nasceram Perez e Zerá. Com estes dois filhos, Judá fundou a tribo que levou seu nome, Tribo de Judá, uma das 12 tribos de Israel.

Consta das Escrituras que a linhagem descendente de Judá foi constituída por intermédio de seu filho Perez. Assim Perez foi pai de Esrom, que foi pai de Arão e assim por diante, até nascer aquele que viria a ser o rei Davi ou David. Consta do Livro Sagrado que José, o pai de Jesus, pertencia à linhagem que vinha de Davi. No Livro está registrado, também, que Deus proclamou que o Messias, que haveria de vir, seria descendente de Davi. Deus, em acréscimo, disse que os futuros reis de Israel pertenceriam à linhagem de Davi, linhagem que vinha de Judá.

Os filhos de Jacó vieram a instituir as 12 tribos (de Israel) e se tornaram chefes de seus grupos tribais. José, com o status que conquistou no Poder, no Egito (cf. veremos), não formou uma tribo, mas seus dois filhos, Manassés e Efraim, a instituíram. A irmã, Dinah, também, não constituiu uma tribo (registros cf. a tradição bíblica).


[CONTINUA. Próximo capítulo: “José do Egito”]

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