Estreitam-se os caminhos

Os que propalam situar-se no centro ou na centro-direita do espectro político começam a perder as esperanças de constituir o que chamam terceira via. A expressão vem sendo usada para identificar os que se dizem incomodados com a polarização entre o atual Presidente da República e o ex-Presidente Lula. Em geral, gente que se dizia desinteressada pela política, mas nunca ausente do processo de financiamento de candidaturas. Porque no Brasil, é assim: políticos costumam negar essa condição, chegando até a reclamar da politização de todos os temas públicos. E boa parte do empresariado não se sente suficientemente valorizada, se distante dos benefícios que a política lhe pode assegurar. Quando ocorre de não verem colimados todos os seus objetivos de classe, do setor específico muitas vezes, acabam por pleitear um assento nas casas legislativas. Alguns têm chegado até às posições mais altas do Poder Executivo, nos diversos níveis da Federação. Todos sabemos como é, neste país em que o Estado é carrasco se tenta fazer a justiça tributária e pai grande e generoso, se concorre para aumentar o patrimônio de uns, em detrimento da maioria. Este é o cerne da questão. O surgimento de partidos políticos reunindo supostos inimigos da política, portanto, revela ser a sede sempre maior que o que cabe no pote. Por causa disso, os abnegados patriotas e benfeitores autoproclamados da humanidade preferem recuar, se facilitadas as vantagens que tentam trazer para si mesmos e para seus sócios. Isso lhes traz uma vantagem adicional, qual seja a de não ter que dar a cara a tapa. Pagam bem e cobram por isso. Estarão engajados na campanha de todos os candidatos, comunistas ou fascistas, supremacistas ou racistas, cristãos ou evangélicos,, desde que vislumbrem a oportunidade de aumentar seu patrimônio e continuar reclamando do tamanho do Estado, esse bicho-papão que deve ser não mais que provedor de suas necessidades e caprichos. As necessidades alheias que se danem! É quase certo que em 2022 a polarização será maior que a anterior, quando alguns nomes novos em cena aberta (Amoedo, Zema, Eduardo Leite, Wilson Lima etc.) ainda não tinham avaliado serenamente os riscos de aparecer. Nas sombras sempre será mais fácil acumular. O que se considera centrão, no Parlamento, também frequenta as lides empresariais.

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