Estranha polarização

Se dá para rir, também dá para chorar. Disse-o o extraordinário compositor Paulinho da Viola. Por isso, os adversários do Presidente Jair Bolsonaro experimentam insólita oportunidade de alimentar os dois sentimentos - a alegria e a tristeza, de mãos dadas, sem o ritmo e a graça que as cordas manipuladas pelo músico oferecem. Até recentemente, a polarização política opunha a direita à esquerda, como se fôssemos nação afeita à discussão produtiva que se espera correspondente à melhor forma democrática. Certo que massa amorfa, oportunista, desvinculada do sentimento coletivo embolou o campo político, inventando posição chamada de centro. Alargados, os interesses e a voracidade ganharam nome superlativo - centrão. Na bolsa de (anti)valores políticos, maior a polarização, mais aumenta a cotação. Dado importante neste momento, a definir nossas formas de conduzir o que chamamos democracia, a polarização se estabelece entre os dois mais visíveis candidatos no pleito presidencial de 2022. A campanha de ambos está nas ruas, nas páginas dos jornais, na tela dos televisores. Mais que tudo, na mente dos postulantes. É a direita contra a direita, reveladora de certa anestesia que parece acometer o que resta de esquerda, tanto a minoria realmente à esquerda, quanto os que assim se auto-proclamam. Mais uma vez, corre-se o risco de ver a Matemática triunfar sobre a Política, pois seis é o mesmo que meia dúzia. E, para não fugir à rotina, um cadáver sempre ajuda. Getúlio Vargas e Carlos Lacerda sabiam disso, conosco por testemunhas. Os postulantes, agora, já têm a servi-los mais de 150 mil deles.

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