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Estocolmo é qualquer lugar do Planeta

2 de out. de 2025
4 min de leitura

Leio sobre uma vereadora da cidade de Borba, no Amazonas, e sua reação, diante de agressão sofrida por uma mulher. Perpetrou-a um colega da representante do povo daquele Município, a quem a colega prestou solidariedade. Como a revelar que Estocolmo pode estar em qualquer lugar. Pelo menos, quanto à reprodução de cenas e sentimentos em nada lisonjeiros. Nação desenvolvida, sempre dada como exemplo de sadia convivência e altos níveis nos serviços públicos e costumes, a Suécia tem o nome de sua capital ligado a um dos acontecimentos mais depreciativos da espécie humana. Refiro-me à síndrome de Estocolmo, nada menos que a reação amorosa da vítima em relação ao seu algoz. Dadas a distância da cidade amazonense à margem do rio Madeira, e a difícil comunicação entre a capital europeia e ela, é preciso especular a respeito desse tipo de sentimento, que parece negar qualquer mudança de valores que a maior parte da sociedade humana pensava totalmente erradicados do Planeta. É como se a sociedade globalizada rumasse em direção oposta àquilo que se chama progresso. O sadismo e o masoquismo ditando os comportamentos humanos, como se estivesse perto o momento de novamente os seres ditos inteligentes e constituintes de uma parcela superior da escala animal, de volta à caminhada sobre as quatro patas originais. A solidariedade em que se deverá basear qualquer conjunto de seres humanos dirigida a outros propósitos, não à gradativa melhoria do descendente do pithecantropus erectus. Acumpliciar-se ao algoz, ao carrasco, não à vítima. Aderir a Thanatos, não a Eros. Dizer sim à morte, não à Vida. Tratamos, até aqui, da manifestação teratológica de uma vereadora da cidade de Borba, à beira do Madeira plantada, na maior bacia hidrográfica do Planeta. Esse, porém, não é fenômeno inédito, nem peculiar àquela pequenina urbe perdida na maior floresta tropical da Terra. Ele se registra, igualmente, em Brasília. Foi lá que os chamados representantes do povo, credor de seus serviços, por tê-los mandado pelo voto democrático, viu-os tentar outra forma de violência contra eles próprios – os cidadãos que votam. Disso tratou a (por enquanto) frustrada PEC da bandidagem. A proteção aos que ofenderam as leis e por isso deveriam ser postos no banco dos réus, sobrepondo-se à moralização dos costumes políticos, indo mais longe. Porque, num caso – a PEC fulminada pelo Senado – e no outro - a violência contra a mulher elogiada por uma delas, no interior do Amazonas – a situação não tem diferença substancial. Sendo que, quanto à PEC da bandidagem, à agressão de cada eleitor junta-se o desprezo pela Constituição Federal e a hostilidade ao Estado Democrático de Direito. Se há aspectos e funções insondáveis na mente humana, nem por isso qualquer sentimento – mesmo o do amor, quando gerado pelo ódio e a violência – deve ser admitido como algo digno da espécie superior. Se, em Borba e em Estocolmo, registraram-se fatos individualizados, não é o caso de Brasília. Nesta, é como se houvesse a concorrência de grupos solidários – no que de pior a solidariedade pode acobertar.

 

Leio sobre uma vereadora da cidade de Borba, no Amazonas, e sua reação, diante de agressão sofrida por uma mulher. Perpetrou-a um colega da representante do povo daquele Município, a quem a colega prestou solidariedade. Como a revelar que Estocolmo pode estar em qualquer lugar. Pelo menos, quanto à reprodução de cenas e sentimentos em nada lisonjeiros. Nação desenvolvida, sempre dada como exemplo de sadia convivência e altos níveis nos serviços públicos e costumes, a Suécia tem o nome de sua capital ligado a um dos acontecimentos mais depreciativos da espécie humana. Refiro-me à síndrome de Estocolmo, nada menos que a reação amorosa da vítima em relação ao seu algoz. Dadas a distância da cidade amazonense à margem do rio Madeira, e a difícil comunicação entre a capital europeia e ela, é preciso especular a respeito desse tipo de sentimento, que parece negar qualquer mudança de valores que a maior parte da sociedade humana pensava totalmente erradicados do Planeta. É como se a sociedade globalizada rumasse em direção oposta àquilo que se chama progresso. O sadismo e o masoquismo ditando os comportamentos humanos, como se estivesse perto o momento de novamente os seres ditos inteligentes e constituintes de uma parcela superior da escala animal, de volta à caminhada sobre as quatro patas originais. A solidariedade em que se deverá basear qualquer conjunto de seres humanos dirigida a outros propósitos, não à gradativa melhoria do descendente do pithecantropus erectus. Acumpliciar-se ao algoz, ao carrasco, não à vítima. Aderir a Thanatos, não a Eros. Dizer sim à morte, não à Vida. Tratamos, até aqui, da manifestação teratológica de uma vereadora da cidade de Borba, à beira do Madeira plantada, na maior bacia hidrográfica do Planeta. Esse, porém, não é fenômeno inédito, nem peculiar àquela pequenina urbe perdida na maior floresta tropical da Terra. Ele se registra, igualmente, em Brasília. Foi lá que os chamados representantes do povo, credor de seus serviços, por tê-los mandado pelo voto democrático, viu-os tentar outra forma de violência contra eles próprios – os cidadãos que votam. Disso tratou a (por enquanto) frustrada PEC da bandidagem. A proteção aos que ofenderam as leis e por isso deveriam ser postos no banco dos réus, sobrepondo-se à moralização dos costumes políticos, indo mais longe. Porque, num caso – a PEC fulminada pelo Senado – e no outro - a violência contra a mulher elogiada por uma delas, no interior do Amazonas – a situação não tem diferença substancial. Sendo que, quanto à PEC da bandidagem, à agressão de cada eleitor junta-se o desprezo pela Constituição Federal e a hostilidade ao Estado Democrático de Direito. Se há aspectos e funções insondáveis na mente humana, nem por isso qualquer sentimento – mesmo o do amor, quando gerado pelo ódio e a violência – deve ser admitido como algo digno da espécie superior. Se, em Borba e em Estocolmo, registraram-se fatos individualizados, não é o caso de Brasília. Nesta, é como se houvesse a concorrência de grupos solidários – no que de pior a solidariedade pode acobertar.

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