Estatal é público, sim!

O episódio que resultou na revogação de decreto visto como privatizador do Sistema Único de Saúde deu margem a interessante disputa entre as virtudes dos serviços de saúde geridos pelo poder público vis-a-vis os estabelecimentos administrados por organizações privadas. Houve quem indicasse incoerência na afirmação de coincidência entre o público e o estatal. Quem o faz parece ter nascido bem depois de se ter instalado no País a visão privatista que ameaça desmontar toda a estrutura prestadora de serviços do Estado, em seus diversos níveis na Federação. Por isso, é ignorado o desempenho do setor público, antes de tudo ser transformado em mercadoria e despertar o apetite dos que pretendem enriquecer à custa da saúde – como de tantas outras atividades – de toda a população. Talvez essa seja circunstância incômoda aos que desprezam e condenam o SUS, tido e havido internacionalmente como uma das mais bem-criadas e sucedidas organizações do sistema sanitário. Aprioristicamente, muitos dos debatedores veem indiscutível a superioridade do setor privado em relação ao serviço público, trate-se lá seja do que for. Neste aspecto particular, mostrem-me os números relativos à falência de empresas, ano após ano, e as razões por que faliram. Só assim teremos pelo menos um argumento sólido para demonstrar o que muito se tem alegado, sem a apresentação da mínima evidência. Bom pressuposto, a justificar estudos e pesquisas mais amplos e profundos, os números coletados pelo SEBRAE, a respeito da criação e fechamento de empresas em todo o País, seria boa pedra de toque. Esse, porém, parece universo mantido sob a sombra, porque a luz faria mal aos que da sombra se beneficiam. Há muitas causas a contribuir para a qualidade dos serviços públicos, que em muitos casos e setores mostra-se em superioridade, comparada à do setor privado. Mesmo que se deixe à margem da discussão o fato de muitos desses empreendimentos particulares não serem mais que a gestão privilegiada dos recursos públicos, sempre volumosíssimos.

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