Esperteza e inteligência são concorrentes

A confusão da esperteza com a inteligência acaba reforçando uma das mais lembradas expressões de sabedoria política. Atribuída a José Maria Alkmin, espécime da arguta fauna política de Minas Gerais, o ex-Ministro da Fazenda reduzia a poucas palavras a ilustração desse equivoco: esperteza muita acaba engolindo o dono. Pior, quando a escassez da inteligência força o que a tem escassa à substituição pela outra. De equívoco em equívoco, o governante tem levado a desastres que só eleitoralmente o prejudicam, enquanto distribuem malefícios à população. Refiro-me, neste exato momento e levando em conta as circunstâncias, à ausência do governador Wilson Lima à reunião dos governadores. Preferindo mostrar-se cada dia mais próximo do Presidente da República, o Chefe do Executivo amazonense parece absolutamente infenso às consequências de sua omissão, no momento em que o (des)governante Federal espicha a corda do cabo-de-guerra contra os dirigentes estaduais. Na verdade, a União contra as unidades federativas. Já nem lembro ao governador o fato de que a capital do Estado por ele governado constituiu-se em epicentro mundial da pandemia por obra e desgraça do (des)governo federal. Evito, talvez, a hipótese de ser tido como advogado da vingança contra o agressor. Prefiro, portanto, lembrar a Wilson Lima quanto as propostas do interesse do povo do Amazonas dependem da compreensão, adesão e apoio dos representantes populares dos eleitores e das próprias unidades da Federação. O aparelhamento sobretudo subserviente ao Presidente da República, mais que uma traição aos interesses dos que o fizeram governador, expressa o desdouro por ele devotado às crescentes dificuldades a serem enfrentadas pelos amazonenses. Num certo sentido, demonstração de exacerbado egoísmo, motivo suficiente para gerar, desenvolver e espalhar a exclusão de sua presença no cenário político local. Por mais que considere redundante mencionar, lembro quanto os supostos defensores da zona franca parecem insensíveis aos riscos da conduta alienada do governador.

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