Escalada universitária

Nem inédita, nem agradável, registram-se manifestações de crescente hostilidade contra a Universidade. A instituição , em todo lugar, não sofre apenas as agressões generalizadas à Educação, mas traz particularidades que ofendem a autonomia prescrita e abrigada na Constituição Federal. A proposital e brutal recusa em fazer dirigentes os mais votados pela comunidade acadêmica repete-se, generalizando-se a nomeação dos menos acatados pelos professores, pesquisadores, técnicos e servidores. Gesto - essa nomeação desrespeitosa - por si mesmo ajustado à orientação nefanda inspiradora das decisões oficiais. Dentre os inimigos denunciados e apontados pelos governantes, a maior parte da população brasileira, há aqueles prioritários nas adoção de valores, práticas e ações destrutivas. Não poderia ser diferente. Se os meios de comunicação que tentam (às vezes contradizendo sua pretensa neutralidade) reparar palavras, gestos, decisões e práticas ao gosto das autoridades, é oferecida furiosa peroração, à comunidade acadêmica é dispensado tratamento desdenhoso, zombeteiro, imoral. A ignorância não rende nem pode render homenagens à cultura, ao saber, ao conhecimento, à Universidade - para ser sintético. Não tem sido outro o comportamento dos ditadores, onde quer se instale o primado do autoritarismo e a força da ignorância. Ao mesmo tempo em que se sacrificam dezenas de milhares de vida, os autoritários de todo jaez precisam impedir que o futuro seja construído em moldes dignos da sociedade humana. À menor manifestação de resistência, opõe-se a força das armas - que pode ser um tiro ou uma assinatura. Assim passam a boiada e seus pastores.

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