Episteme e Emoção


Pombos e pombas – símbolos da Paz. Pablo Picasso, que pintara Guernica, denunciando a tragédia da guerra, concebeu a Pomba da Paz universal, com fortaleza na simplicidade, com transparência na simbologia e na brancura de suas asas protetoras. A criação do pintor é um signo da Humanidade. Seu símbolo de paz é mensagem de vida, que voa pelo céu de todos os povos, e contém o pacifismo humanista do Mundo sem guerras. As pombas e os pombos, em sortilégios, com suas asas abertas, superam as batalhas, desenham a vida fraterna de homens e mulheres e de todos os povos.

A pomba mensageira retornou ao barco trazendo em seu bico o ramo verde e doce da vinha, que anunciou a vida, que se perenizava, com os machos e as fêmeas de todas as espécies, de todos os seres criando e recriando, procriando, para sempre, sobre a face da Terra, no enlace definitivo entre a vida e a paz, na eterna relação, real e simbólica, entre pombos e pombas, periquitos e periquitas, araras azuis e vermelhas, homens e mulheres... na paz de Picasso... que se perenizou! Orlando Sampaio Silva

A bailarina e o cisne

Vejo-te em sonhos tranquilos. Teus cabelos longos, plumas que descem como ondas e que esvoaçam na serenidade da brisa que sopra. Parece que estás a andar, mas teus pés não tocam no palpável; eles flutuam, como caminhava Leda, a mítica esposa de Zeus e de Tíndaro. Leda, a deusa sem idade, desnuda e jubilosa, possuída em todos os lagos pelo cisne, seu esposo. Leonardo, Michelangelo, Moreau, Cézanne, Klimt e tantos outros recriaram-na, nas telas fascinantes, à margem do lago onírico.

E eu, teu cisne e teu poeta, aqui te recrio na minha arte, na cena bucólica, sob o olhar protetor de Virgílio. No amor atemporal, tu tiveste tantos filhos, nossos filhos, como Leda, que, com a cumplicidade de seus cisnes amantes, gerou seus filhos: Pólux, Helena, Castor e Clitemnestra, deuses no Olimpo. Teus movimentos são leves e puros, coreografias vivas se criando, na cena campestre da natureza intocada, ao som da sinfonia transcendente e bela, eco da orquestra etérea, no espaço azul, deslumbrante e intangível. Com um gesto mágico – oh fada, oh musa, deificada em teu corpo transparente vestido de sutil perfume –, eu te exaltei no poema-metamorfose – metáfora ovidiana –, ao receberes, no eterno retorno, o teu cisne mítico, no lago indizível.

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Orlando Sampaio Silva nasceu em 24 de janeiro de 1932, em Bragança (PA), e há 53 anos reside em São Paulo (SP), Brasil. É advogado (OAB/SP); antropólogo, membro efetivo da Associação Brasileira de Antropologia (ABA); mestre e doutor em CS (Antropologia); é professor titular (Antropologia), aposentado, da UFPA; é membro emérito da Academia Paraense de Ciências; é membro efetivo da UBE-SP e membro correspondente da UBE-RJ; pertence a diversas academias de letras, entre as quais a Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo (ACLASP) e é membro correspondente da APL; tem poesias publicadas em inúmeras coletâneas, antologias e revistas literárias, sendo diversas delas traduzidas para outras línguas; é autor de artigos e capítulos de livros de antropologia editados no Brasil e no exterior, tal como um ensaio pioneiro sobre a obra do antropólogo alemão Herbert Baldus publicado na Revista de Antropologia, vol. 43, nº 2, Depto. de Antropologia da FFLCH-USP, 2000; é autor de livros de antropologia e de poesias, conforme a seguir: TUXÁ – Índios do Nordeste (Selo Universidade – Antropologia, São Paulo, Ed. Annablume, 1997), Eduardo Galvão – Índios e Caboclos (São Paulo, Ed. Annablume, 2007), Índios do Tocantins, (Manaus, Editora Valer, 2009), A Vontade de Potência (Lisboa, Chiado Books, 2013), Militares na Política do Pará e Outros Registros do Testemunho e da Memória (Belém, Editora Paka-Tatu, 2014), Poemas de Amor e de Vida (sob o pseudônimo: Orlando Torquato Sampaio da Silva; Rio de Janeiro, Editora CBJE, 2015), Poiesis (Rio de Janeiro, Helvetia Editora, 2016), Pensamento – Vida – Poesia (Rio de Janeiro, Helvetia Editora, 2018), Eros na Poesia (Porto Alegre, Editora Somar, 2018)..


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