Engana que eu gosto

Diz a verve brasileira que otário tem o bolso virado pra baixo. Mesmo os que se pensam mais espertos que os outros, à falta da inteligência, um dia acabam descobrindo que seus bolsos estão virados para baixo. E o objeto de sua adoração, o dinheiro, acaba por escorrer-lhes, antes que possam fazer uso inteligente do que o bispo da Antióquia, São Basílio, chamava esterco do mundo. O bolso, aqui, é tomado como metáfora. Coloca-se, portanto, a escassa inteligência como motivo de decisões que acabam por revelar a condição de otários. Estes, quando mal supridos da inteligência, um dia se veem privados também do seu ídolo adorado, o dinheiro. Os fatos, porém, revelam certos gostos difíceis de imaginar sedutores. Um deles, o de verem-se enganados, quando fartas evidências revelam prudente o ceticismo. O que resulta disso é a comprovação do grau de estultice e necedade instalado na cabeça desses supostos espertos. Nem espertos, nem inteligentes, é o que são. Tiram de seus cuidados a cerimônia dos rapapés e da subserviência com que pensam reunir vis talentos e, daí, auferir benefícios que suas desqualidades não permitem atrair. Essa, porém, é hipótese talvez até generosa, para explicar certos gestos de puxassaquismo, logo respondidos com o coice que lhes afeta. Não demorou 24 oras, até que os abjetos concedentes de um título de cidadania ao Presidente da República se vissem diante do corte no orçamento, exatamente em área do interesse do Estado do Amzonas. O tratajmento dispensado ao ambiente pelo atual governo, só os imbecis seriam capazes de aplaudir e destacar como favorável à economia do Estado. Os mesmos que inventaram a preservação do ambiente como resultado positivo do modelo aqui implantado sequer percebem que os cortes orçamentários não significam apenas redução de recursos financeiros. Eles dizem muito mais. Um dos significados é o de desqualificar um dos argumentos que mais têm pesado na defesa do PIM. Verdadeiro ou não, razão ou pretexto, a relação entre preservação e produção industrial tem sido usada para defender o que resta da zona franca. A ignorância e a subserviência, porém, não conseguem enxergar isso.

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