Engana que eu gosto

O título alude às promessas das autoridades e à expectativa dos cidadãos ingênuos ou desavisados. Refere-se, no caso em tela, ao preço das passagens aéreas e à imposição de custos aos passageiros pelo porte de bagagem. Vigente já faz algum tempo, à obrigação de pagar corresponderia a de ver reduzidas as tarifas aéreas. Algo semelhante ao que acontece em relação aos ônibus de Manaus. Todos os anos, pretextando a atualização da frota e o oferecimento de serviços decentes,os proprietários sempre arrancaram da Prefeitura o reajuste desejado. Somente nos últimos dois anos isso não se repetiu. Nem houve a mínima melhora nos serviços, com o que cada dia se mostra mais precário e indigno o transporte coletivo. O mesmo afeta o transporte aéreo. A bagagem passou a ser cobrada, como também a reserva de assento nos voos. Sem que, em compensação, fosse oferecida aos viajantes a possibilidade de viajarem em pé. Só isso autorizaria cobrar pelo uso do assento. Se, pelos motivos facilmente compreensíveis, seriam comprometidas as condições de segurança dos voos, certamente esse é assunto de inteira responsabilidade dos que exploram os serviços aéreos, não dos que os utilizam. Afinal, os riscos de qualquer negócio devem ser assumidos pelos que fazem dele sua fonte de enriquecimento. No Brasil, porém, não é assim. Já não basta a grande maioria dos negócios privados ser sustentada por dinheiro público, aos que recorrem aos cofres do BNDES (para ficar apenas nesse exemplo) não resta quase nenhum risco. Tudo é repassado ao usuário ou consumidor. Nem causa qualquer reação justa o fato de que há setores em que, contratualmente, o governo assegura aos investidores o reforço de seus cofres, sempre que as contas apresentem prejuízo. Em suma: o brasileiro é explorado e ludibriado duas vezes, como consumidor ou usuário e como contribuinte. Esteja na terra, no mar ou no ar.

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