Em campanha

Se até eu já consigo ver, por que os que se dizem analistas políticos desdenham do comportamento do Presidente do Congresso Nacional? Ao que entendo, pelas reiteradas e cuidadosas declarações do deputado Rodrigo Maia, ele está totalmente entregue à campanha que poderá ou não levá-lo ao cobiçado posto em que reina, soberano mais que republicano, o ex-capitão Jair Messias Bolsonaro. Seria exagerado considerar o domínio exclusivo do Congresso sobre a política nacional e as decisões que não vêm do Poder Executivo. A rigor, olhar um pouco mais atento às ações e relações entre os poderes, por mais esgarçadas que se mostrem não chegam a validar a hipótese de que vivemos num sistema minimamente aproximado do parlamentarismo. Deve-se o eventual preenchimento dos espaços próprios ao Executivo, pelo Legislativo, sobretudo por dois fatores que parecem desprezados pelos proclamados (autoproclamados, no mais das vezes) analistas: o primeiro diz respeito à imobilidade do Poder Executivo, entretido mais - e quase exclusivamente - em disseminar mensagens nas redes sociais. É antigo o aforismo: onde há espaço vago, esse espaço tem que ser ocupado. Rodrigo Maia sabe disso e não se faz de rogado, quando se trata de ocupar o vazio. 2. Não fosse a incapacidade de o Executivo levar adiante o que diz serem suas propostas, restaria pouco ao filho do ex-governador César Maia. Ele não passaria de coadjuvante, como tantos de seus antecessores no cargo.

Vem ocorrendo o que o povo chama de junção entre a fome e a vontade de comer. Sem se saber, porém, qual antecede a outra. Até recentemente um deputado quase desconhecido, depois que assomou à Presidência do Congresso Maia tem aumentado o tom de voz e influenciado as decisões da Câmara dos Deputados. Muito, é claro, pelo descrédito em que cai, gradativamente, o Chefe do outro poder. O que acabou por aumentar o apetite do antes quase obscuro parlamente e pôr-lhe o prato à mão.

Ao fim e ao cabo, são os mesmos os credores de ambos os poderes. Dizem-no a pauta encaminhada pelo Executivo e a conduta dos que dirigem o Legislativo, sabidamente empenhados em atendê-la integralmente. Não é outro o sentido emprestado às palavras de Rodrigo Maia, entendida por alguns apenas como a intenção de evitar o conflito de poderes em que se empenha o Presidente da República.

Em suma: a probabilidade de substituir ou enfrentar o próprio Jair Bolsonaro ou alguém que faça suas vezes, na eleição presidencial de 2022, parece o grande motivo de Maia. Os rentistas agradecem.


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