Eles e nós

A nação mais arraigadamente voltada para dentro de si mesma coincide com a que deseja mandar no Mundo. Atualiza a doutrina Monroe e a implementa com a retaguarda de poderoso arsenal atômico. Se a intervenção terceirizada não dá certo, põe a bota dos próprios patriotas em ação. A reprise de Nagasaki e Hiroshima, contudo, jamais estará descartada. Pelo menos, enquanto o egoísmo seja o senhor, como bem disse o Prêmio Nobel de Economia e colunista do New York Times, Paul Krugman.

Lá, enquanto armas compradas com os impostos pagos por todos matam negros e pobres, funcionam regularmente 7.000 empresas estatais. No Brasil elas não chegam a 600, contadas as três esferas – municipal, estadual e federal. Na Europa, 900 das empresas transferidas para o controle privado voltaram ao ninho. Movimento exatamente inverso ao pretendido pelo Decreto n° 10.432/20. O mesmo que escancara desenfreada privatização, a que o governo já oferece a Eletrobrás. A União Europeia destinou € 1,8 trilhões para investimentos nas filhas pródigas. Entre nós, a cobiça internacional e o entreguismo patriótico ameaçam passar à mão de terceiros 46 usinas que detêm 56% das águas armazenadas, 70% de cuja reserva destina-se à agricultura.

O capitalismo de Estado (ou seja outro o nome que se der), na China, mantém 150.000 empresas estatais, 55.000 delas diretamente vinculadas à administração pública.

Das 10 maiores empresas do Mundo, 6 são estatais, se a revista Forbes não é produtora de fake-news.

No Brasil, porém, nem por se terem passado quase 60 anos, a máxima de Juracy Magalhães nunca foi tão atual. “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, disse à época o então embaixador brasileiro na metrópole. Lá, as estatais vão bem obrigado. Aqui, vão para a bacia das almas, onde serão vendidas. O preço? De banana, como se tem visto.

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