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Educação para quê?

A educação, em especial o ensino de nível médio passou a ser objeto de discussão. Pouco tempo passado desde sua alteração, as escolas terão que refazer todo o planejamento que fizeram, em razão do perverso juízo do governo anterior, relativamente àquela importante função governamental. Onde quer que se tenham instalado o autoritarismo e o culto à ignorância, o saber e a Ciência são vitimados. Não sou eu, mas a História que o diz. Como se sabe, se houve algum setor que bem caracteriza a índole, os interesses e os valores do governo substituído pelo do Tripresidente Lula, nenhum é mais exemplar do que o setor educacional. É nas escolas que se fazem os bons cidadãos. Ainda que muitos dos que por elas passaram não tiveram a felicidade de ver o sol e expor-se a ele, no aprendizado cotidiano das boas lições, sempre terá havido os que saíram delas melhor do que entraram. E podem ter do Mundo visão adequada à percepção da sociedade como resultado da visão e da ação dos que a constituem. Os governos autoritários sabem disso talvez melhor do que seus opositores. Por isso, tratam de eliminar dos currículos disciplinas capazes de abrir os olhos dos mais jovens, na quase certeza de que eles os incomodarão. E os tirarão daquilo que o jargão antipático e clicherizado chama zona de conforto. Foi isso o que levou os sucessivos sinistros da Educação do governo anterior às alterações que agora se pretende revogar. Que elas sejam revogadas, antes que os males previstos ocorram. Mas que também sejam iniciadas discussões abertas e profundas sobre as verdadeiras necessidades sociais. Não apenas aquelas que pretendem - e num certo sentido já o conseguiram - atrelar a educação ao processo produtivo. O que significa dizer preparar os estudantes para o mercado do trabalho, reduzindo-os à miserável e exclusiva condição de um dos fatores de produção. O que Charles Chaplin, no que considero o melhor de seus filmes, Tempos Modernos, soube tão bem comentar. Sem perder o humor e a ternura. Dois princípios básicos, não só da educação mas de toda relação realmente humana. A confusão entre adestramento e educação não ajuda a formar cidadãos. Presta-se, isto sim, a fabricar seres sub-humanos, pouco diferentes de robôs.

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