Economia e vírus

Como se fosse um milagre, a dinheirama que se dizia inexistente aparece e se diz portadora da solução da crise agravada pela entrada do coronavírus no País. Preocupados mais com os negócios que com a vida, os sábios de nossa economia combalida não estancaram a desigualdade extraordinária por eles mesmos produzidas e vigorosamente defendida ao longo de décadas (quem sabe - séculos?). A criação de novos empregos, mantra abjeto repetido à exaustão, não veio com as alterações das leis trabalhistas, nada mais nada menos que a supressão de direitos duramente conquistados pelos trabalhadores, também ao longo dos séculos. Era preciso mais! A boca dos gulosos exigia a reforma previdenciária. Pressurosos e acumpliciados, Câmara e Senado por sua maioria decidiram avançar na redução da rede de proteção social de quem só lhes pode oferecer o voto - e oferece! Chegou a covid19 e deixou tudo às claras: dinheiro há, e muito! Os números o dizem, não mais trazidos a público pela boca dos auditores fiscais de todos os níveis da república. Não mais ostentados por poucos parlamentares, lideranças e jornalistas atentos às reais necessidades das camadas sócio-econômicas desassistidas. Agora, os pretensos salvadores da pátria fazem questão de proclamá-los. E haja a atribuírem ao vírus as razões de toda a mazela que se impõe aos mais de 200 milhões de habitantes do país mais desigual do Mundo, pelo menos há três anos. É certo que alguns desses sábios, montados no grau que um diploma obtido em escolas estrangeiras confere, se veem forçados a declarar amor antigo às causas populares. Tentam mostrar-se amigos da vida, logo eles que não faz mais tempo que a chegada, e pouco depois, do flagelo ao País, desdenhavam e zombavam da pandemia que poderia matar apenas os do outro lado. Era o que pensavam. Deram-se mal! Como se dão todos aqueles que mentem, escravizam, oprimem, torturam, empenhados sempre em fazer do Mundo não mais que o espaço que vai do bico de seus sapatos bem polidos ao calcanhar acomodado em piso almofadado. Esquecem-se de Aquiles, porque a História é território suportável apenas nos bancos escolares. Em suas mentes não há espaço para ela. Isso prejudicaria o terreno fértil da mentira, cujas estradas exploram à saciedade, enquanto a sociedade por sua ação e talento sofre a mais cruel exploração.

Se o vírus passar e os sobreviventes estiverem realmente dispostos a escrever uma nova História, que o façam prontos a comparar as contas bancárias de todos. Aí, então, saberemos quais os serviços prestados pelo inimigo coroado que parece trazido de fora pelos bem aquinhoados. Pelo menos em Manaus, é isso que os números relativos à distribuição dos casos detectados do covid19 dizem.


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