E daí?

Quase 800 mil pessoas não puderam procurar emprego, no mês de maio, no Amazonas. Das que tentaram faze-lo, 179 mil se deram mal. Não havia emprego para elas.Recente pesquisa do IBGE revela que 12% da população economicamente ativa estava desocupada. Da população ocupada, 49% tinham trabalho informal. Ou seja, estavam ocupados, mas desempregados. Importante destacar que 221 mil pessoas afastadas do trabalho nada receberam como remuneração. São, portanto, mais de 930 mil os desempregados, se os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística estiverem corretos. O levantamento é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), desta vez em parceria com o Ministério da Saúde. Justifica-se a parceria, em função do impacto da pandemia no mercado de trabalho. Embora os dados coletados não possam por motivos metodológicos ser cruzados com os colhidos pela PNAD Contínua, os números dados a conhecer na última quarta-feira são preocupantes. A estimativa do IBGE é que a população economicamente ativa do Amazonas, em maio, correspondia a 2,955 milhões de habitantes. O número total de empregados ou ocupados corresponderia a 1,307 milhões, o que equivale a pouco mais de 44% das pessoas em condições de trabalhar. Ninguém poderia esperar que a pandemia deixaria fora do seu impacto o mercado de trabalho. Conhecendo nossas elites pelo que elas têm feito e pelo que deixam de fazer, seria ingênuo esperar vê-las preocupadas com o desemprego. Ainda não lhes chegou aos ouvidos que nada se compra asem dinheiro, nem dinheiro se acha e colhe de árvores plantadas no meio da rua. Mais fácil, se ocorresse isso como nos livros de fadas e carochinha, seria assegurar às mesmas elites o direito de propriedade sobre essas mágicas árvores. Todas as mais recentes alterações destinadas a reduzir os direitos dos trabalhadores e a proteção do trabalho foram justificadas pelos mesmos pretextos: combater o desemprego, aumentar as oportunidades de trabalho, melhorar a vida do trabalhador e de sua família. Além do que, a covid -19 está sendo apropriada pelas elites empresariais como mais um dos infames pretextos para alterações que ainda estão por vir. A covid -19 é mal recente, tendo pouco a ver com o desmantelamento do Estado brasileiro, de sua economia e da paz social. Apenas agravou o movimento descendente que nos coloca em pleno e rápido processo de desindustrialização. Só uma razão poderia explicar o apoio do empresariado industrial à política que reduz a atividade do setor e diminui sua importância na formação da riqueza. Estarão recursos acumulados durante décadas sendo desviados para o improdutivo mercado financeiro? A conferir.

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