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E a educação?

Atualizado: 17 de ago. de 2022

Há quem, como o ex-governador de Brasília, também ex-reitor da UnB, Cristóvão Buarque, tenha a educação como a panacéia que resolverá todo e qualquer problema. Enviesada, essa percepção produz análise inadequada da realidade política, pelo menos no Brasil. Entender o papel da educação na sociedade não pode levar à crença de que bastará alcançar alto nível de escolaridade da população, para dispo da poção mágica que curará todos os males. Fosse assim, os dois períodos em que o operário Luis Inácio Lula da Silva esteve na Presidência da República não teriam sido o que foram. Qualquer que seja a acusação, nenhuma conseguirá apagar os resultados alcançados pelo ex-metalúrgico, nos oito anos de sua administração. Já a sucessão de presidentes detentores de diploma de nível superior não gerou resultados melhores. Os registros históricos o dizem, bastando lembrar Sarney, Collor e FHC, para ilustrar a irrelevância do diploma, na gestão da coisa pública. Alguns dirão que Lula tem enorme facilidade de aprender, chegando ao ponto de interpretar a realidade social e lidar com ela, incomparavelmente superior à de muitos doutores. O contraargunento logo se impõe: ele detém sabedoria tal, atraindo para junto de si pessoas não apenas detentoras de elevado nível de informação e conhecimento. Além disso, sabe despertar nos que o cercam a confiança e o entusiasmo necessários a toda ação coletiva. Outros talvez sejam tentados à comparação com os governos militares, na ditadura dodecadenária e seu pretendido plágio iniciado em 2019. As extravagâncias a que se entregou boa parte da população da caserna, ontem e hoje, não autoriza comparação. Dois aspectos justificam rejeitar a hipótese. O primeiro diz respeito às peculiaridades dos governos autoritários, onde até um burro governa, como costumava dizer o ex-Prefeito de Manaus, Paulo Pinto Neri. Ele se referia, especificamente, à abastança do Erário. Neste ponto particular, diga-se o que se disser de Lula, os oito anos de sua presença no Planalto jamais registraram uma só restrição ao clima democrático. O segundo aspecto relaciona-se à extrema especificidade dos conhecimentos adquiridos em escolas e estabelecimentos militares. Importa pouco para esta análise que as forças armadas tradicionais se sintam frustradas, em ambiente em que a guerra faz exigências diferentes das existentes no passado. Esse contraste - a preparação para uma guerra improvável - pode até desviar o interesse de muitos militares a buscar outros lugares onde compensar as frustrações. Acrescentar que as escolas militares fazem da instrução, não da educação o seu cotidiano, apenas revela quão distantes estamos de ajustar nossos processos educacionais da democracia que a muitos incomoda. Ontem, adivulgação do número de postulantes inscritos no pleito de outubro (55% portadores de diploma universitário) atraiu minha atenção e motivou estes comentários.

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