Duas pontas


Há lógica, por perversa que seja, a justificar a baixa cobertura vacinal da população infantil. Tanto quanto os idosos, as crianças estão fora da população economicamente ativa, adorada fonte de mão de obra. Enquanto a pandemia ajuda a eliminar os mais velhos, os riscos a que são entregues os menores contribuem na outra ponta. Isso tudo ocorre para alegria do grupelho que raciocina em bilhões e os ganha, mesmo quando os cemitérios recebem 130 mil vítimas da febrezinha. Bem faz, portanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria, em encaminhar manifesto-denúncia ao Ministério da Saúde, mostrando preocupação com a baixa cobertura do programa de imunização a que a sociedade já se vinha acostumando. A guerra contra o vírus é feita numa frente, em que o inimigo é invisível e obediente de alguma forma às leis naturais. A outra, manipulada por mãos só supostamente invisíveis, é mais fácil e os inimigos mais vulneráveis.

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