Dragão estimado

O dragão com que os combatentes contra a inflação tanto ameaçam governos e o povo voltou a frequentar as páginas dos jornais. Já se sabe que as metas impostas pelo mercado e que tanto comprimem a economia e punem os pobres não contam com o coro mesmo dos mais perversos e desumanos neoliberais. É como se os números fossem alvissareiros para a maioria da população. Desdenho do fenômeno da inflação or ve-la como causa, não como consequência. Desprezo qualquer debate sobre economia em que o problema de desigualdade não seja posto como prioridade. Esta, não a inflação, é o grande e determinante problema. Cobro, porém, dos que exigem sempre o sacrifício dos mais pobres um gesto ao menos que os mostre preocupados com o fenômeno que sempre os tem enriquecido. Tal gesto não vem, talvez porque são os mesmos que, em plena pandemia e diante da morte de quase seiscentas mil pessoas, continuam ganhando. Sempre mais. Resumo da ópera: não é a inflação, nem para eles, o problema a combater. O que desejam, seja a que custo for, é ampliar seus próprios negócios, afastar constrangimentos fiscais e tributários que os faça contribuir à altura dos seus ganhos, remover todo e qualquer, mínimo que seja, obstáculo à acumulação obscena que sempre têm defendido. O dono da Riachuelo, Flávio Rocha, não me deixa mentir.

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