Dos que entendem de saúde

Há pessoas cuja passagem pela Terra é tão fugaz quanto sua vida. Duram apenas do dia em que nasceram até o dia em que todos os seus õrgãos pararam. Outras, ao contrário, duram muito mais do que sua existência física. Nem precisam ingressar em qualquer academia de letras para tornar-se imortais...enquanto durem, como diria o poetinha Vinícius de Morais, a respeito do amor. Aos primeiros, mais passageiros que tripulantes da instigante nave, por seus malfeitos ou pela omissão (uma forma negativa do fazer), o esquecimento se impõe na última pá de cal. Restarão na sepultura como restos, de fato. Os outros têm esticada sua permanência, vivos, vivíssimos na memória dos contemporâneos. A literatura e as artes, em geral, são terreno propício a essa constatação. Não é só lá, no entanto, que se oferece a oportunidade de as pessoas se tornarem imortais. Muitas vezes, ignoradas ou desprezadas em vida, ocorre de muitos terem reconhecidas as virtudeds e o bem causado aos semelhantes, muito depois de desaparecerem do mundo dos vivos. É o caso, por exemplo, de Oswaldo Cruz, Sabin, o casal Curie, Manoel de Abreu e tantos outros cujo empenho a favior da Ciência conferiu o título da imortalidade. Sem esquecer quantos os que os antecederam...

Vivemos, nestes difíceis momentos de pandemia, tragédia adicional à que nos açoita desde o primeiro dia do ano de 2019. E nela surge a oportunidade de conferir permanência ao SUS, o sistema de saúde criado por Sérgio Arouca, atribuindo a esse médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz - FioCruz mérito que o torna imortal.

Outros colegas de Sérgio, alguns ainda vivos, também aserão contemplados com o respeito e a reverência de Arouca.

É importante, nesta hora, mencionar o oportuno pronunciamento de ex-Ministros da Saúde, a propósito da pandemia e da conduta dos governantes brasileiros diante dela. Caminhávamos para lamentar a morte de 75 mil pessoas, Luiz Henrique Mandetta, Alexandre Padilha, Arthur Chioro, Barjas Negri, Humberto Costa, José Gomes Temporão e José Saraiva Felipe subscreveram o manifesto 60 dias de omissão na saúde. O documento registra o pensamento e as conclusões dos subscritores, contendo importante testemunho. Trata-se, de fato, de documento histórico indispensável à compreensão da realidade nacional, quando a História tiver engolido o cotidiano destes tão sombrios dias.

Por isso, transcrever alguns trechos do manifesto parece interessante. A eles!

O MS tornou-se uma instituição desacreditada e vista com reservas pela opinião pública, seja ao distorcer estatísticas oficiais, seja por aprovar protocolo que não se baseia em evidências científicas para o manejo da doença....Não se trata apenas de uma atuação equivocada e incompetente do Presidente e do governo federal. As decisões tomadas

nos campos sanitário, econômico e social expressam uma lógica perversa que rege todo o governo e que subjuga as necessidades da população aos princípios da austeridade fiscal, indiferente aos danos que isso possa causar na vida das pessoas.

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