Dois grandes brasileiros

Dois brasileiros dos mais ilustres e aos quais a nação tanto deve fariam cem anos, neste 2022 iniciado sob tanta escuridão. Ambos, animados pelos superiores sentimentos e legítimas aspirações que, ao longo do tempo, parecem esvair-se e se esconder em que lugar não se sabe. Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro são duas figuras maiores na História desta nação que teima em ignorar o passado e - suas conquistas e benesses; as agruras e sofrimentos também – renuncia ao dever de construir futuro diferente. Muitos outros brasileiros inscrevem-se no mesmo inventário de que se fizeram merecedores o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro e o ex-Chefe da Casa Civil da Presidência da República e Ministro da Cultura. Não haveria lugar nem expressão mais adequada a este registro que inventário. Tanta a criatividade dos dois, que em determinado momento da trajetória comum dela se beneficiou a população fluminense. Os Centros Integrados de Educação Popular- CIEP foram, assim o vigoroso traço que uniu o professor e antropólogo ao engenheiro e político cujo pensamento projetava-se para muito além da campanha eleitoral. Por isso, no ano do centenário de nascimento, Brizola e Darcy têm ressaltada a lembrança deles; mais que isso, a saudade. Das formas como enfrentavam os problemas e das propostas que saiam de suas cabeças. Os que viveram o primeiro ato da tragédia inaugurada em 1 de abril de 1964 e ainda hoje encenada, o povo brasileiro como figurante, se se derem o trabalho de estudar História, só não se farão saudosos, se desprovidos do mínimo discernimento. Nós, que testemunhamos o engenheiro Leonel de Moura Brizola comandar a Cadeia da Legalidade, depois a resistência ao golpe apoiada pelo General Machado Lopes, jamais esqueceremos a importância daquele gaúcho cuja valentia nunca passou perto da bravata. Do outro, Darcy Ribeiro, devem ser apreciadas, talvez mais ainda que a criação dos CIEPs e da UnB, a compreensão que tinha da realidade nacional. O redator desta nota, que no início dos anos 2000 levou sua admiração ao criador da Universidade de Brasília à plateia do Simpósio O Brasil em evidência: A utopia do desenvolvimento*, ali foi marcado, sobretudo, pelo depoimento de profissionais que trabalharam com Darcy. Em todos, sentia-se a irradiação de um entusiasmo e admiração que a grandeza do homem emite e atrai. Por isso, à memória sempre presente de Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, há de estar alinhada a saudade deles sentida. Quanto se teria beneficiado a nação, se houvesse menos ouvidos surdos e corações endurecidos!

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* Do evento resultou livro com o mesmo nome, em que palestras e textos dos participantes foram reunidos. Editado pela Fundação Getúlio Vargas/Editora PUC-Rio, em 2012, a obra foi organizada pelos professores Paulo Emílio Matos Martins e Oswaldo Munteal, com prefácio do ex-governador Eduardo Campos, PE.

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