Doença ou essência?

O jornalista e teatrólogo Nélson Rodrigues apelidou de complexo de vira-lata ao comportamento submisso, acovardado, indiferente, do indivíduos só ou acompanhado. Com a expressão ele criticava a tendência de valorizar tudo o que é alheio, sempre em detrimento do que é nosso, como indivíduos e como nação. Embora o desempenho dos times de futebol fosse o foco mais evidente dos comentários de Nélson, ele também se preocupava com a conduta de políticos, governantes e acadêmicos. Ontem ao assistir à disputa pela vaga em um torneio de futebol pelo Corinthians e o Guarani do Paraguai, lembrei-me quase com, saudades do jornalista fluminense (por nascimento e preferência clubística). Sem a intenção de polemizar, penso ter assistido ontem à aula prática sobre a matéria de que Nélson é o maior teórico. Mesmo com um jogador a menos, desde o início do jogo, o time brasileiro chegou a marcar 2 X 0. Parecia possível, até provável, ampliar o marcador e assegurar a classificação para a próxima fase do torneio. Ao contrário do que esperavam seus torcedores (dentre os quais ainda permaneço, embora sem grande entusiasmo), o time não mostrou qualquer intenção de alargar o placar. Comportou-se com a covardia que se espera dos vira-latas. Perdeu a vaga.

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