Ditadores ambos
- Professor Seráfico

- 6 de mar. de 2022
- 2 min de leitura
Não sei se russos e ucranianos permanecem se matando nas ruas de Kiev, sabe-se lá em que outras cidades. É sábado, 26 de fevereiro, e começam a aparecer os números da morte. Desta vez, não a morte provocada por um vírus, nem aquela que se aproveitou desse microscópico ser que alguns dizem não-ser, para impor a morte de 650 mil pessoas. Falo do Brasil, agora. O que sei é da expectativa espalhada pelo Mundo, ressabiado e quase deslembrado da crise entre os pretensos donos do mundo ocidental e seus adversários, autoproclamados donos do outro lado do Planeta. Mais de 40 anos depois, veem-se dois Estados um dia cobertos pela teia de laços comuns, políticos e culturais, entregarem-se à produção de nova tragédia. O muro de Berlim foi desfeito, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas desfez-se como se desfazem as coisas sólidas, mas fantasmas políticos também são passíveis de ressurreição. Pelo menos na mente dos que precisam de cadáveres e fantasmas para alimentar suas máquinas de guerra. Do outro lado do Mundo, um ditador intimida o ex-aliado, diante da pretensão deste de juntar-se aos que combateram a União Soviética. E continuam a combater o zumbi que dela restou. Deste lado, um ditador também, porque o dinheiro tem vocação autoritária, como estamos todos cansados de saber. A Ucrânia, no meio de tudo, é pretexto. Nada mais. Pretexto para um lado e para o outro. Matar ucranianos passou a ser esporte bem cotado, a que se entregam ambos os herdeiros do nazismo, não importa o que um e outro dizem. Interessa, sim, saber o quê fazem. É o que vemos. Quê podemos dizer nós, distantes a não mais saber, do que os cultores da guerra chamam teatro de operações? Talvez menos do que diriam se é que já não começaram a dizer, os habitantes de muitos países europeus. Começando pela Alemanha, ameaçada de ter prejudicado o cotidiano de todos os seus habitantes, porque é pelo gasoduto russo que passa o gás fornecedor de 70% da energia consumida no País. Advogar totalmente a causa de um e do outro dos supostos beneficiários da guerra (a saber, Rússia e Estados Unidos da América do Norte) é absolutamente incorreto. Ignorar fatores econômicos, políticos, culturais e históricos, mais ainda. Tudo isso me leva a reiterar convicção suportada pela História: ou a OTAN deixa a Europa em paz, desmontando TODAS as bases instaladas no continente europeu, ou o que restou unido da encarquilhada URSS deve ser deixado prosperar - proteger-se, ao menos. O mesmo raciocínio que uso para defender a criação de tantos arsenais atômicos quantos seja possível às diferentes nações interessadas, se restar alguma arma atômica, onde quer que ela esteja. Diferente é legitimar a reivindicada supremacia das duas potências ditatoriais - a das armas e a do dinheiro. Fora disso, não aposto uma nota de três dólares na Paz.


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