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Dificuldade



Em primeiro lugar, todos haveremos de reconhecer quão indesejável é a intervenção, militar ou não, nos assuntos e negócios de outras nações. Isso é o que exige o princípio tão proclamado e na prática negado da autodeterminação dos povos. Como manter-se obediente a esse mandamento, todavia, constitui mais um, dentre tantos problemas causados pelo que os franceses chamam mundialização. Outros chamam ao mesmo fenômeno globalização. Para o bem e para o mal, esse é processo até agora tido como irreversível. Menos pelo bem-estar generalizado, que por corresponder às exigências de uma acumulação injusta e excludente de crescentes parcelas da população mundial. Ou seja, mesmo os avanços tecnológicos, ao contrário das expectativas otimistas, não melhoraram os padrões de vida da maioria das populações. Os detentores do capital, em contrapartida, enriqueceram ainda mais, em ritmo exponencial. Se, antes de dispor da parafernália de instrumentos que tornaram ubiquos seus interesses, os ricos ganharam, mais ganham ao aproveitar o que a tecnologia põe ao seu alcance. Daí a necessidade política de intervir onde quer que haja recursos naturais para os quais seus olhos cobiçosos se têm voltado. Quando isso não basta, nada consegue deter o uso de armas e a mobilização da opinião pública mundial, para apoiar a rapinagem praticada contra outra nação. Os exemplos, por copiosos e sobejamente conhecidos, dispensam qualquer outra menção. Se desejássemos ir a passado não tão remoto, a Revolução Cubana de 1959 poderia ser tida como inaugural desse período em que se viram frustradas algumas tentativas de construir um mundo diferente. Dizem-no o estado de bem-estar social pretendido pela social-democracia e o socialismo que ruiu junto com o muro de Berlim. Então, a aldeia global de que tratou Mc-Luhan construiu um ambiente unipolarizado, com as consequências que todos testemunhamos: a fome generalizada, doenças tidas como erradicadas recrudescendo, o desemprego e o desamparo afetando crescentes contingentes populacionais, a violência e a mentira fazendo-se impor a qualquer custo. As guerras que consomem bilhões de dólares, das quais as mais divulgadas envolvem os Estados Unidos da América do Norte e a Rússia, na Ucrânia, e a que consiste na exterminação dos palestinos, em Gaza, são as mais emblemáticas deste momento. Há, alhures, outros conflitos bélicos, fazendo a festa dos produtores, comerciantes e traficantes de armas. Às vezes, de otras cositas más. Não é diferente a intervenção em outros países, nem há traço de originalidade no que ocorre com a Venezuela, onde a natureza colocou imenso manancial de petróleo. Isso tudo dificulta até a compreensão e devida interpretação do processo histórico e político das nações ameaçadas, tantas as versões produzidas, sempre ao sabor dos interesses em jogo. Se a Nicolás Maduro seria arriscado entregar nosso relógio, não seria a Donald Trump, nem a Putin que o entregaríamos.

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