Dia quente

Deveria ser comemorada hoje, a data destinada a homenagear o Estado do Amazonas. Escasseiam, todavia, motivos para justa e oportuna comemoração. Mais tristeza que festas decorrem das perdas contabilizadas, aqui e em todo País. Uma tristeza que se torna mais triste ainda, se observadas a reação e a conduta de autoridades públicas cujo dever primeiro seria o de cuidar do bem-estar da população. Não é disso que se trata, como os números estão a indicar. Antes, a população ia às ruas, aplaudir os que se apresentavam como orgulhosos defensores do que se convencionou chamar pátria. Hoje, não só o risco de ser infeccionado por um vírus afasta todos da praça pública, pelo menos aqueles aos quais ainda não está de todo negado o direito de pensar e portar-se como ser humano. Não é certo que, preservados do ataque virulento, ficaram imunes à violência generalizada, com frequência promovida pelos que têm o dever de manter a paz. Para isso os governantes, em todos os níveis e em quase todos os lugares, têm seus centuriões. Se, nos Estados Unidos da América do Norte as forças pagas com o dinheiro do contribuinte têm matado negros e pobres, o Prefeito do Rio de Janeiro trata de reprimir os cidadãos, bastando para tanto que lhe cobrem o que por obrigação de ofício deveria fazer. Não são apenas essas as agressões sofridas, pela população onde quer ela se encontre, pela natureza, no caso especial a floresta amazônica. Já não basta o rigor climático deste período do ano, o estímulo oficial faz arder boa parte da cobertura florestal da região, sem que as providências esperadas levem a mais que palavras. Estas, como se sabe, os mesmos ventos que espalham o fogo infernal também são levadas para a terra do nunca e para não se sabe aonde. Só o calor gerado no coração e na mente dos apaixonados pela vida pode responder ao culto à morte a que nos estamos acostumando. Vade retro!

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