Dia-pós-dia

Armada é a pátria

e desalmada

vida sôfrega

a que falta qualquer

alma

vontade trôpega

hesitante caminhada

sofrimento humilhação

nenhuma calma


O prato

há tempos não o frequenta

frugal feijão

as ruas sendo o abrigo

de feroz e indigesta

solidão

o que recebe o solitário

não é abraço

amigo

o som parece vir

do pelotão


A todos falta

energia necessária

ao enfrentamento

da pandemia que

assassina

não são poupados

vil comandamento

o velho o adulto

a criança

todos entregues à mesma

trágica sina

que faz soçobrar

a esperança

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Da morte e dos seus tipos As cargas são diferentes talvez Caronte não o saiba nem saber lhe interessa não faltarão valquírias sedutoras à satisfação do Cérbero faminto Jet-sky não transporta cadáveres

Permanecem no ar ruídos e sentimentos deixados na cara de um negro sobre tapetes vermelhos tingidos da cor por pouco não liberada de um rosto agredido uma piada mal posta sendo a luva que armou a mão

Ah, não fosse dado ao homem viver tanto... se não tivesse olhar atento sempre pronto não veria desfilar diante de seus olhos quanta coisa a doer na alma ferir o corpo machucá-lo dispensável pranto enq